Embora não tenha os números consolidados deste mês e esteja em período de silêncio (quando empresas listadas na bolsa são proibidas de divulgar informações), a Ambev vê a disparada nas vendas da cerveja Michelob Ultra no Brasil como consequência da Copa do Mundo e, especialmente, do principal garoto-propaganda da marca: Lionel Messi.
Nesta quarta-feira (15), ele entra em campo pela Argentina contra a Inglaterra por uma vaga na final. O jogo será às 16 horas e terá transmissão de Globo, SBT e CazéTV.
Apenas no primeiro trimestre, quando a multinacional já relaciona os números ao período pré-mundial, a cerveja, que é uma das oficiais do Mundial, cresceu 180% em volume de vendas no país. A evolução faz parte do aumento de 70% da lista das chamadas de "escolhas equilibradas", mais saudáveis, com menos álcool e calorias. Nos EUA, é a número 1 do portfólio da AB-Inbev.
Mesmo sem entrar em detalhes, a opinião da empresa é que os números entre julho e julho, por causa do Mundial e do camisa 10 da Argentina, também serão de crescimento. Messi é embaixador da marca desde 2023.
Outras multinacionais que patrocinam o atacante, consultadas pela coluna, como Adidas e PepsiCo, não se manifestaram.
Mas os lucros por causa do fator Messi não são apenas de grandes corporações.
"A gente triplicou o faturamento e aumentou o movimento em até dez vezes em dias de jogos da Argentina e do Messi. Ele é fundamental", afirma Cristian Galarza, gerente do Moocaires, no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo. O bar de temática argentina viralizou durante o Mundial.
Para maximizar espaço, todos os clientes ficam de pé e a lotação chega a 350 pessoas. Como a demanda por espaço é maior do que a oferta, lucra também o posto de gasolina vizinho, que colocou telão para passar os jogos da seleção.
"Por causa do Messi, estão ganhando dinheiro também o restaurante peruano da esquina, o boteco, o vendedor de rua... E a maioria não é de argentinos. É de brasileiros que amam Messi e a seleção argentina", completa.
Se a equipe for à final, no próximo domingo (19), Galarza pretende fechar a rua. Ele diz esperar entre 3.000 e 4.000 pessoas.
Mas não é este o único bar temático argentino lucrando por causa da seleção sul-americana e seu craque maior.
"Mesmo comparado com os finais de semana que temos mais movimento, em dias de jogos da Argentina temos 70% a mais de faturamento", afirma Gisele Alejandra Cansino, dona do El Rincón Xeneize, na Vila Cordeiro, zona sul da capital.
Apenas nesta quarta-feira, o restaurante Sur Parrilla, em Pinheiros, zona oeste, espera faturar R$ 10 mil.
"As partidas da Argentina deram muito mais movimento do que os outros da Copa", avalia Gastón Delmoro, do restaurante Sur Parrilla.
É a mesma visão de bares como o Bárbaro, no Itaim, zona sul, e do Artesania Choripanes, no Alto de Pinheiros, zona oeste.
"O movimento nos jogos da Argentina foi maior do que em dias normais, mesmo com jogos que caíram em horários complexos. Contra a Jordânia, por exemplo, foi às 23h. O crescimento foi de cerca de 50% nesses dias", afirma, por WhatsApp, o Artesania Choripanes.
Todos também concordam que o fator Messi e a visibilidade da Argentina na Copa fizeram muito bem para o marketing dos estabelecimentos, que cresceram no número de seguidores nas redes sociais.
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