O FC Porto terminou os jogos de pré-época na manhã de domingo com uma vitória magra sobre o São João de Ver, num duelo à porta fechada. Numa altura em que Francesco Farioli se encontra a afinar todos os detalhes para o arranque oficial em 2026/27, há um dado que liga todos estes particulares: a falta de consistência defensiva.
Se na época passada a defesa foi um pilar que levou os portistas à conquista do título de campeão, esta pré-temporada ficou marcada pelo facto dos azuis e brancos terem sofrido golos em todos os seis jogos que realizaram. Algo que não preocupa Jorge Amaral.
Em entrevista exclusiva concedida ao Desporto ao Minuto, o antigo jogador do FC Porto mostrou-se mais preocupado com a falta de fogo no setor do ataque, frisando que as algumas desatenções na hora de defender podem desaparecer não só com o passar da época, como também com o estabelecimento de um onze base com mais rotinas.
"Sofrer um golo de uma equipa como o Aston Villa, e da forma que aconteceu, vale o que vale. Por exemplo, sofrer um golo como se sofreu contra o Gil Vicente... se aí fosse uma equipa normal do FC Porto era motivo de preocupação porque são erros básicos, infantis. Isso sim seria preocupante. Sofreram contra o Gil Vicente na derradeira fase do encontro, já sem laterais e com a equipa toda desmontada. Acho um pouco irrelevante", afirmou.
"O problema é se forem erros sucessivos em função de determinada falha de um setor, de uma falta de pressão, de uma falta de posicionamento. Se for este o caso, tem de preocupar a equipa técnica que está a acompanhar esta pré-época. Para nós, de fora, acho que o importante é quando começar a doer, sentir que a equipa está com uma base sólida, e deve tê-la porque é praticamente é do ano passado, deve ter. Em termos defensivos, quem começa primeiro a pressionar é lá à frente. Se calhar há pormenores desse tipo de pressão que podem não estar a acontecer. Nesta pré-época, não acho isso muito preocupante porque os treinadores querem ver novas coisas, estão a apostar em novas situações. Acho que isso irrelevante e não muito preocupante, mas é estar com atenção", frisou.
Em virtude da época bem sucedida em 2025/26, Jorge Amaral acredita que o plantel do FC Porto pode estar um pouco relaxado, ainda que não de forma intencional.
"Quando se reuniu na época passada, esta equipa tinha novos jogadores à descoberta de muita coisa nova, com uma grande capacidade de absorção de tudo o que lhes era dado e se calhar com níveis de concentração muito maiores. É muito natural que, depois de uma época como aquela que aconteceu, possa existir um relaxamento que não é intencional. Veem que as coisas correram bem e que agora certamente vão correr bem", vincou.
"A equipa praticamente é a mesma, não há muito de novo, já se sabe o que é que se há de fazer, e depois os jogadores, às vezes, esquecem-se de que tem que haver uma continuidade daquilo que se passou o ano passado.. Agora há que manter este modus operandi de uma equipa em que realmente não pode falhar", destacou.
Jorge Amaral elogiou a qualidade dos guarda-redes do FC Porto, mas reconheceu que a ausência de Diogo Costa na pré-época retirou do plantel uma voz de comando ao plantel.
"Basta mudar de guarda-redes em praticamente todos os jogos para isso acontecer e não é pôr em causa o Cláudio Ramos, o João Costa, ou seja quem for. Basta tirar uma peça que é líder e que faz parte do losango da equipa. É muito importante a equipa saber quem tem atrás. Os golos sofridos não têm tido a ver com os guarda-redes, estão mais relacionados com os pormenores dos níveis de concentração mais baixos no momento da ação no jogo em que um ou outro jogador pode falhar de uma forma individual e a equipa pode não funcionar em termos coletivos", sinalizou Jorge Amaral.
A pouco mais de um mês do fecho do mercado de transferências, o ex-jogador do FC Porto acredita que deve ser acrescentado algum poder de fogo ao setor atacante dos dragões.
"Mesmo com a entrada da André Silva, acho que um dos pontos em que o FC Porto está com grande dificuldade, e já o ano passado o teve a partir do momento em que o Samu saiu, é a falta de poder de fogo dentro da área, massacrar as equipas e criar muitas oportunidades de golo. Para mim, falta os alas darem uma maior dimensão ao jogo com bola do que aquela que dão defensivamente. Os jogadores das faixas dão essa dimensão ao jogo sem bola, mas com bola nem sempre há essa dimensão. Traduzem isso em muita capacidade de trabalho e entreajuda, mas depois, se calhar por terem tanta capacidade de trabalho e de lutar muito pela bola, naquele momento em que é preciso de tudo definir, de pensar, as coisas ficarão diferentes", ressalvou o antigo internacional português.
"Gostaria de ver mais Gabri Veiga e Rodrigo Mora com uma capacidade técnica maior do que andarem atrás sempre da bola. Falta fogo ao FC Porto, aquela maldade atacante de massacrar o adversário com muitos remates. Se me perguntar o que é que eu acho que falta, eu falta isso. Se estes jogadores têm capacidade? Acho que é que têm, mas aquele rato de área, espero que o André Silva, e acho que foi uma ótima contratação, possa trazer isto quando os jogos começarem mais a doer e se vejam coisas diferentes", finalizou.

Sem ordem para descansar. FC Porto bate São João de Ver no Olival
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Carlos Pereira Fernandes | 14:16 - 26/07/2026