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As vendas externas de milho do Brasil voltaram a ganhar tração em junho, em meio ao avanço da colheita da segunda safra nas principais praças produtoras. O movimento reforça o papel do cereal no agronegócio e dá sustentação aos fundamentos de regiões onde o SNFZ11 aloca parte de seus ativos agrícolas.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam embarques de 435,5 mil toneladas de milho em junho, resultado 17,8% superior ao do mesmo mês de 2025. No entanto, o preço médio de exportação recuou para US$ 235,40 por tonelada, queda de 6,7% em relação a um ano antes. O descolamento entre volume e preço reflete dinâmica externa mais ofertada e ajustes de prêmios.
No mercado interno, a entrada de volumes expressivos da segunda safra mantém as cotações pressionadas em várias regiões. Ainda assim, agentes acompanham o quadro climático nos Estados Unidos, que segue influenciando os preços na Bolsa de Chicago. A interação entre oferta doméstica e referência externa tende a direcionar negociações no curto prazo.
Na CBOT, os contratos de milho oscilaram ao longo da semana à espera do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Relatos de calor e menor umidade em determinados períodos sustentaram parte das cotações, embora os indicadores das lavouras norte-americanas permaneçam em patamar considerado favorável.
Levantamentos de mercado mostram aceleração da colheita no Brasil. No início de julho, aproximadamente 30% da área cultivada no Centro-Sul já havia sido colhida. Mato Grosso lidera os trabalhos e ultrapassou a metade da área, beneficiado por janela de plantio e condições operacionais que favorecem o ritmo das operações de campo.
SNFZ11 em região estratégica do milho safrinha
O fundo detém três fazendas em Gaúcha do Norte (MT), polo reconhecido pela integração soja–milho safrinha. Esse arranjo operacional amplia a eficiência do uso da terra e favorece geração de renda ao longo do ano, eixo central da estratégia do fundo e de sua resiliência de caixa em diferentes ciclos climáticos.
A safra histórica de soja no país, ajustada para 181,8 milhões de toneladas, fortalece o modelo de sucessão entre culturas. A convergência entre valorização fundiária e renda agrícola recorrente compõe o pilar da tese, que busca capturar ganhos de produtividade e escala em um território que concentra a expansão do agronegócio.
A gestora ressalta que a diversificação entre soja, milho e outras culturas reduz volatilidade e amplia fontes de receita. No milho safrinha, a demanda doméstica é relevante: o cereal abastece proteína animal, ração e etanol de milho, sustentando um mercado interno robusto e menos suscetível a choques externos, sem depender apenas das exportações.
O avanço da indústria de etanol de milho vem transformando Mato Grosso em um dos principais polos de processamento do Brasil. Usinas instaladas no estado consomem cerca de 13,5 milhões de toneladas de milho por ano, destinadas à fabricação de etanol e de DDG, coproduto amplamente utilizado na alimentação animal.
Milho safrinha já soma 75% da produção nacional
Segundo a Conab, o milho safrinha responde por cerca de 75% da produção brasileira, apoiado por avanços tecnológicos, melhoramento genético e expansão do plantio direto. Essa evolução elevou a produtividade, diluiu custos e reduziu a exposição à sazonalidade, fortalecendo o fluxo de caixa do produtor ao longo do ciclo.
As propriedades do fundo em Gaúcha do Norte estão posicionadas para capturar a expansão da safrinha. Contratos como o firmado com a Jequitibá Agro, que assegura aproximadamente 25% da produção das áreas vinculadas, ampliam a previsibilidade operacional. A combinação entre terras, produção e exposição ao milho safrinha sustenta a tese de longo prazo, em um veículo que reúne cerca de 15 mil cotistas e monitora oportunidades no ciclo agrícola.
No curto prazo, o equilíbrio entre oferta doméstica da segunda safra, ritmo de embarques e sinais vindos do USDA e da CBOT tende a orientar a formação de preços. No médio prazo, a logística, o processamento local e a integração com a cadeia de proteínas e de biocombustíveis seguem como vetores para o escoamento do milho brasileiro.