O Comité Disciplinar da FIFA decidiu abrir, na segunda-feira, uma investigação para apurar os episódios de violência que marcaram a final do Mundial2026, disputada em Nova Jérsia, nos EUA, entre Espanha e Argentina (1-0), e deverá tomar uma decisão nas próximas semanas. Leandro Paredes, Nahuel Molina e Roberto Fabián Ayala, da Argentina, arriscam um castigo de pelo menos três jogos, de acordo com o Regulamento Disciplinar da entidade máxima do futebol mundial.
A alinha i) do artigo 14 prevê uma suspensão mínima de "pelo menos três jogos" para os casos em que os intervenientes "agridam um adversário ou outra pessoa que não seja um oficial de jogo, incluindo através de murros, pontapés, cotoveladas, mordidelas, cuspidelas ou outras agressões físicas".
Nesse sentido, Paredes, que atirou Gavi ao chão, já depois do apito final, e que apertou o pescoço a Eric Garcia, logo depois, dificilmente escapará a este castigo, tal como Molina, que desferiu um murro na barriga de Rodri, quando este corria para junto dos seus colegas de seleção.
Também Ayala, adjunto de Scaloni, arrisca igualmente mesma sanção, depois de ter sido 'apanhado' a desferir um golpe na direção de Dani Olmo, também depois do final da partida.
Ao mesmo tempo, a FIFA ainda pode aplicar uma multa à Asociación del Fútbol Argentino pelo comportamento coletivo da seleção nesta final, tendo ainda em consideração a polémica atitude de ter virado as costas para o palco no exato momento em que Espanha recebia o troféu de vencedor do Mundial2026.
Para quando uma decisão?
O código disciplinar da FIFA não fixa qualquer prazo para que uma decisão seja tomada, depois de aberta a investigação, mas o Mundo Deportivo garante que o inspetor responsável pelo caso já possui toda a documentação e que dentro de 15 a 20 dias deverá ser formalizada a decisão do Comité Disciplinar.
Faixa contra Inglaterra também gera investigação
A FIFA também estará a ponderar aplicar uma sanção à seleção da Argentina depois da mensagem política exibida após a vitória contra Inglaterra nas meias-finais do Campeonato do Mundo. Na altura, Cristian Romero, Giovani Lo Celso e Lisandro Martinez exibiram a faixa "As Malvinas são argentinas" e fizeram estalar, desde logo, a polémica.
A faixa exibida pelos argentinos após a meia-final do Mundial2026. © Getty Images
A FIFA não confirmou a instauração do procedimento disciplinar, mas estará a investigar o cenário de aplicar sanções à luz do artigo 13.º do Código Disciplinar, que proíbe a utilização de eventos desportivos para manifestações de natureza não desportiva, segundo vários meios internacionais.
A título de exemplo, em 2014, a FIFA multou a Federação argentina em mais de 23 mil euros depois dos jogadores terem exibido uma faixa com a mesma mensagem contra a Eslovénia, num jogo de preparação para o Campeonato do Mundo.
Para este caso, a FIFA também não deixará de ter em consideração o artigo 4.5 das Leis do Jogo da International Football Association Board (IFAB).
"Os jogadores não podem revelar peças de vestuário usadas por baixo do equipamento que contenham slogans, declarações ou imagens de natureza política, religiosa ou pessoal, nem publicidade que não seja o logótipo do fabricante. Qualquer infração será sancionada pelo organizador da competição, pela federação nacional competente ou pela FIFA, consoante o caso", pode ler-se.
A faixa exibida pela seleção da Argentina em 2014.
© Getty Images

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Francisco Amaral Santos | 07:56 - 21/07/2026