Exames. "O processo de correção merece nota negativa"

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Recebemos agora em direto neste jornal, Filinto Lima, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Muito bom dia e obrigada mais uma vez por estar em direto conosco na Rádio Observador. Ouvimos aqui o caso concreto apenas de uma árvore. Como é que está a floresta, digamos assim? As escolas já estão, na sua maioria, com capacidade de apresentar os resultados do nono ano?

Sim, a maioria já está a fazer esse serviço, desde as 09h30, mas percebemos que ainda há escolas, na verdade, onde os ficheiros não chegaram, os ficheiros com as classificações do nono ano, e portanto, os diretores estão à espera desse instrumento para poderem produzir as pautas para que os nossos alunos do nono ano possam saber as classificações, quer a Matemática, quer a Português. Provas que já se fizeram há bastante semanas.

Alguma explicação para o que está a acontecer, concretamente com as notas do nono ano, Filinto Lima?

Não, não há nenhuma explicação. Soubemos ontem durante a tarde que os ficheiros iriam chegar às escolas durante a noite e durante a madrugada. Disso tivemos conhecimento. Muitas escolas são já portadoras desses ficheiros, as pautas já estão afixadas, mas há algumas situações que ainda não estão resolvidas e, portanto, têm que ser resolvidas. Não sabemos qual a explicação deste atraso, mas talvez ao meio-dia o Ministro da Educação possa facultá-la na conferência de imprensa que vai fazer.

Que entretanto marcou. O fim de semana também ficou marcado por alguns casos e apreensão relativamente às notas que saíram do secundário, com a sensação de que os valores não correspondiam àquilo que era o trabalho dos alunos, ainda notas suspensas. Já está tudo a ficar mais claro relativamente a este ciclo de ensino?

Sim, e também com mais uma complicação a adensar esta situação, que são, de facto, os exames de Físico-Química. Houve o Júri Nacional de Exames ontem percebeu que houve uma imprecisão na correção do item e, portanto, também durante o dia de hoje, no mais curto espaço de tempo possível, queria eu, queríamos todos, vão chegar às escolas novos ficheiros para nós atualizarmos as classificações de Físico-Química.

E isso vai significar uma alteração dessas notas também?

Com certeza, vai significar uma alteração dessas notas, espero que para melhor, mas de facto está a criar muita ansiedade. Esta reportagem que vocês fizeram numa escola em Lisboa, é claro e nítido, acontece isso por todo o país. Os pais estão de facto revoltados, porque de facto não há fim para esta situação, uma autêntica novela. E temos que encerrar isto no mais curto espaço de tempo possível para pensarmos no futuro. Mas me parece que este processo de correção, de facto, merece nota negativa, embora o ministro irá nesta segunda fase de exames, se confirmar que será esta semana, irá apostar no mesmo modelo de correção.

Com o arranque agora do concurso para o acesso ao ensino superior, em que condições, em que termos é que pode estar a acontecer este início de processo, com todas essas anomalias de que está a dar conta?

Em termos deficitários. Não sei se o Ministro da Educação poderá e quererá alargar o prazo de candidatura ao ensino superior. É um dos assuntos que ele irá falar, penso eu, ao meio-dia, ou optar por alargar ou por manter o calendário. Nós gostaríamos é que, na verdade, os alunos não fossem prejudicados. Todos eles foram prejudicados desde o início, não há dúvida nenhuma. Os processos de ansiedade, e falo muito disto, os processos de ansiedade estão ao rubro. Os nossos alunos ou os pais estão revoltados. Portanto, o prejuízo é desde o início, pelo menos na situação que eu acabo de referir. Agora, pede-se mesmo é que nenhum aluno seja prejudicado em relação ao seu acesso ao ensino superior.

Já tem alguma indicação, Filinto Lima já antecipava que poderia haver um enorme acesso aos pedidos de recurso de nota. Já tem algum sinal nesse sentido?

Sim, não temos dúvidas nenhumas. O histórico diz que 2% dos alunos pedem a reapreciação, a revisão da sua nota, é o histórico de anos a esta parte, e este valor vai subir de forma abismal, não tenho dúvidas disso. Aliás, eu até sugeria, e já fiz isso há bastante tempo atrás, que os €25, que é a taxa para pedir a reapreciação, este ano, em virtude do que se passou, fosse dispensada. Acho que tinha toda a lógica que essa taxa fosse dispensada e para que os nossos alunos, com o apoio de professores, possam fazer, se assim o entenderem, esse pedido de revisão, tem sempre, claro, o reverso da medalha, porque a nota pode baixar. Mas estou convencido que a maior parte dos nossos alunos vai recorrer a esse método.

E quem é que vai corrigir essas provas? Quem é que vai fazer essa apreciação?

Essa reapreciação, como todos os anos acontece, são os professores. São professores que estão inscritos numa bolsa, através do Júri Nacional de Exames, são professores que irão fazer essa reapreciação.

Que terão de ser suficientes para o aumento.

Exatamente. Essa é a grande novidade este ano, é isso mesmo. Este direito é um direito que nós conhecemos, todos conhecem, só que é sempre usado em termos residuais. Não vai acontecer isso este ano.

Filinto Lima, muito obrigada pelo ponto de situação que nos deixa aqui o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, a dizer que a maioria das escolas, sim, já recebeu as pautas com os resultados dos exames do nono ano, mas ainda há escolas que não o fizeram. Também, Filinto Lima, a aguardar com expectativa para a conferência de imprensa que o Ministro da Educação marcou para o meio-dia de hoje