Exames nacionais. "Avaliação digital tem vantagens que justificam riscos"

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, regressa esta terça-feira, 21 de julho, à Assembleia da República (AR) para uma audição da Comissão de Educação, na sequência dos problemas registados no processo de digitalização e avaliação dos exames nacionais.

A primeira a questionar o governante foi Paula Santos, do PCP. "Como é que permitiu que isto acontecesse? Não basta pedir desculpas, elas evitam-se!", atirou a parlamentar, enumerando uma série de problemas que têm sido noticiados nos últimos dias.

Aos deputados, o governante começou por dizer que a correção digital "é um processo que começou a ser implementado há quatro anos", ainda no tempo do Governo socialista e do ministro João Costa.

E revelou que, quando chegou, em 2024, apercebeu-se que o PS tinha decidido que os alunos também realizariam os exames de forma digital, o que recusou. "Numa semana ouvimos os diretores e o IAVE e concluímos que o sistema não estava preparado", acusou."Não precisei de grandes análises para concluir que era um erro", reportou ainda.

"Não há aqui experimentalismo, estamos a seguir as melhoras práticas internacionais", atirou Fernando Alexandre, sublinhando a "importância da digitalização" e o facto ser "impossível um sistema educativo sem estratégia para digital".

Para o ministro, a "avaliação digital tem vantagens que ultrapassam e justificam os riscos que tem de se correr para fazer esta transição", reiterando o facto do "exame em papel que o aluno fez existe e está seguro, está protegido".

Na visão de Fernando Alexandre, "o processo de digitalização correu bem em praticamente todos os casos para as notas que os alunos tiveram". Nos casos em que isso não aconteceu, o governante assegurou que "vai ser corrigido muito rapidamente".

Quanto às declarações de Luís Duque de Almeida, o antigo presidente do Júri Nacional de Exames que acusou o ministro de avançar com correção digital sem avaliar projeto-piloto, Fernando Alexandre afiançou que este "não deixou relatório nenhum" antes de sair e que se tinha conhecimento de erros então vai "ter que explicar isso".

"Se tinha informação que não partilhou, não a transmitiu, ele vai ter que explicar isso. Foi embora em setembro e não deixou relatório a ninguém", lamentou o governante do Executivo liderado por Luís Montenegro.

Ainda durante a sua intervenção inicial - e apesar de todos os problemas que têm sido reportados e das reclamações dos professores, alunos e famílias - o ministro da Educação reiterou que "nenhum dos alunos vai ser prejudicado no acesso à primeira fase do concurso de acesso ao Ensino Superior".

"Presidente do EduQa não clarificou, empatou"

Antes, os parlamentares ouviram Luís Pereira dos Santos. O presidente do Conselho Diretivo do EduQA admitiu que o novo modelo de classificação digital dos exames nacionais enfrentou "dificuldades e desafios".

O responsável do instituto recordou, numa declaração já escrita e lida aos parlamentares, que a distribuição, recolha e correção dos exames "é uma operação claramente muito complexa" e revelou que depararam-se com problemas, principalmente, de dois tipos: "informáticos inesperados que dificultaram a catalogação das folhas de resposta, o que fez com que as respostas fossem entregues a classificadores de forma gradual, porque geralmente são atribuídas logo no início em conjunto" e de "fluxo de informação entre as plataformas de preparação e de classificação das provas".

Luís Pereira dos Santos garantiu ainda que as "falhas foram residuais" e que o EduQA "tudo fez para "que os alunos recebessem os resultados de forma atempada".

Os deputados questionaram ainda o responsável do instituto sobre a possibilidade de os problemas da primeira fase dos exames nacionais se repetirem na segunda.

Luís Pereira dos Santos assegurou que há "condições para esta fase ser mais segura e mais calma". No entanto, não quer dizer "que não vai acontecer nada".

"A minha segurança - e o ministro toma decisões com base em pareceres técnicos nossos, do EduQA - é que durante o processo foram feitas correções necessárias para resolver questões técnicas que tínhamos preparado, para que conseguíssemos chegar ao final da primeira fase com resultados de qualidade. Já implementámos processos corretivos", evidenciou, lembrando que haverá uma auditoria externa ao processo.

Muitas das perguntas acabaram por não ser respondidas o que levou os parlamentares a manifestarem-se a quererem deixar "claro" em frente a "todo o país" que "o senhor presidente do EduQa não clarificou e, em certas circunstâncias, apenas empatou" as dúvidas em relação ao processo de avaliação digital dos exames nacionais.

Presidente do EduQa garante: Digitalização foi testada

Presidente do EduQa garante: Digitalização foi testada "várias vezes"

O presidente do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQa) garantiu hoje que o sistema de digitalização das provas foi "testado várias vezes" antes dos exames do secundário, sublinhando que a implementação começou há vários anos, "não começou ontem".

Lusa | 10:47 - 21/07/2026