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Os Estados Unidos não têm reservas suficientes de mísseis para sustentar uma (nova) guerra em grande escala contra o Irão, alertou um militar norte-americano ao The Washington Post, numa altura em que a administração de Donald Trump pondera alargar as operações militares contra Teerão.
De acordo com a mesma fonte, a continuação do conflito prolongado poderá ser limitada pela redução das reservas de sistemas de defesa aérea e de munições de longo alcance. “Não temos o suficiente para sustentar operações em segurança e não creio que a Casa Branca tenha consciência disso”, afirmou o responsável.
O aviso surge após os Estados Unidos terem lançado uma nona noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos. A mais recente vaga de bombardeamentos, realizada durante o fim de semana, teve como objetivo, segundo Washington, responder à morte de três militares norte-americanos na sequência de um ataque iraniano contra a base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia.
Estados Unidos concluem nona ronda de ataques ao Irão após cessar-fogo provisório
Donald Trump afirmou, no domingo, que os Estados Unidos voltaram a atingir o Irão “com muita força”, em homenagem aos militares mortos. “O Irão ficou muito, muito danificado. Militarmente, perdeu praticamente tudo. Tem muito pouco do que tinha”, disse aos jornalistas.
As Forças Armadas norte-americanas também começaram por justificar os novos ataques como retaliação pela morte de soldados na Jordânia. Um militar estava desaparecido após esse ataque e um novo comunicado do CENTCOM indicou que “restos mortais não identificados” foram encontrados este domingo e estavam a ser examinados. Desde o início da guerra, 17 militares norte-americanos foram confirmados mortos.
De acordo com o New York Times, os Estados Unidos estão também a reforçar a presença militar na região, com o envio de caças F-16 destacados na Alemanha, aviões F-35 estacionados no Reino Unido e aeronaves de reabastecimento aéreo. O jornal refere, citando responsáveis sob anonimato, que este reforço já tinha sido ordenado antes do ataque iraniano à base na Jordânia.
Entretanto, o Irão prosseguiu os ataques aos aliados dos Estados Unidos na região. O Kuwait anunciou ter sido alvo de mísseis e drones, afirmando que uma central elétrica e uma unidade de dessalinização foram atingidas. No Bahrein, a embaixada norte-americana aconselhou os cidadãos dos Estados Unidos a manterem-se vigilantes devido a informações sobre possíveis ataques em Manama.
Ao largo do norte de Omã, perto do Estreito de Ormuz, um navio foi atingido por um projétil de origem desconhecida e incendiou-se, informou a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Pouco depois, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que dois petroleiros tinham sido destruídos ao tentarem atravessar uma rota considerada insegura em Ormuz. Embora não tenha assumido diretamente a responsabilidade pelas explosões, ameaçou os Estados Unidos com uma “operação punitiva” e afirmou que “nem uma gota de petróleo ou gás” atravessará a via marítima em segurança enquanto continuar a “agressão” norte-americana.
A Guarda Revolucionária do Irão afirmou, ainda, ter realizado um ataque surpresa a um centro de comando “inimigo” na região síria de Al-Tanf.