EUA já devolveram mais de 80 mil milhões de dólares a importadores após Supremo Tribunal declarar tarifas de Trump ilegais

Administração foi obrigada a reembolsar taxas a empresas que importaram para os EUA mercadorias afetadas pela guerra comercial de Donald Trump

A administração norte-americana de Donald Trump já reembolsou dezenas de milhares de milhões de dólares de tarifas pagas por empresas que importam produtos para os Estados Unidos após o Supremo Tribunal do país ter declarado essas tarifas ilegais. A informação consta de dados orçamentais divulgados esta segunda-feira, segundo os quais o governo federal dos EUA já devolveu cerca de 81 mil milhões de dólares (cerca de 71 mil milhões de euros).

Os impostos sobre mercadorias importadas têm representado um pilar fundamental do plano económico da administração Trump desde que o empresário tornado presidente voltou à Casa Branca em janeiro de 2025, altura em que relançou a guerra comercial que tinha iniciado no seu primeiro mandato.

Cerca de um ano depois de ter tomado posse, em fevereiro deste ano, o Supremo Tribunal dos EUA declarou que grande parte das tarifas adicionais impostas por Trump a uma série de países são ilegais, obrigando o governo a devolver o dinheiro às empresas importadoras. Os dados revelados mostram que os EUA já pagaram 71 mil milhões de euros em reembolsos dessas tarifas ilegais até ao momento desde o início do ano fiscal, em outubro de 2025, em comparação com o reembolso de 5 mil milhões de dólares (4,39 mil milhões de euros) durante o mesmo período no ano anterior.

Citado pelos media, um representante do Departamento do Tesouro disse que este aumento acentuado se deve quase inteiramente ao ditame do Supremo sobre as tarifas, através das quais Trump pretendia revitalizar a economia norte-americana, trazer a produção de volta para os EUA e obter melhores acordos comerciais – com o grosso dos reembolsos a ocorrer entre maio e junho deste ano. 

Apesar das intenções do presidente norte-americano, o défice dos EUA, que no ano passado tinha diminuído ligeiramente por via da receita das tarifas, está novamente a aumentar, tendo atingido 1,367 biliões de dólares nos primeiros nove meses do ano fiscal, no correspondente a um aumento de 2% em relação ao período homólogo – isto numa altura em que a despesa militar dos EUA já subiu 5% face à guerra no Médio Oriente.

A tarifa adicional global de 10% que a administração dos EUA está a aplicar à maioria dos países deverá expirar dentro de dez dias, a 24 de julho. Notícias recentes dão conta de que o governo Trump está a preparar-se para aplicar uma série de novas taxas visando parceiros importantes, incluindo o Reino Unido, o Japão, a Índia, Taiwan e a China, de uma forma que permitiria à administração contornar os limites impostos anteriormente à sua guerra comercial. Espera-se que as novas tarifas se situem entre os 10% e os 12,5%.

Os EUA também já ameaçaram impor uma nova taxa de 25% sobre as exportações do Brasil para o mercado norte-americano e, em junho, Trump também ameaçou impor uma tarifa de 100% sobre países europeus que decidam aplicar impostos às maiores empresas de tecnologia norte-americanas, como a Apple, a Google e a Amazon.