Originalmente, a lei proposta pelo senado norte-americano visava impedir de vender no mercado exclusivamente os construtores chineses, ou aquelas marcas que estes controlam por via indirecta, mesmo sem possuir a maioria do capital. A lei especifica que os construtores com mais de 15% de capital chinês não podem vender nos EUA, mas o legislador, pouco versado no mundo automóvel, não se apercebeu que isto afastava do mercado americano a Mercedes, uma das marcas europeias mais reputadas e mais desejada entre as classes médias e altas dos consumidores locais. Mas há um senador que garante que isso não vai acontecer, segundo a CNBC.
A Mercedes-Benz, que tal como a BMW (e ao contrário do Grupo VW), não tem capital nas mãos de qualquer estado alemão (a baixa Saxónia detém 11,8% do capital e 20% da capacidade de voto na administração da VW). Porém, a Mercedes tem como maiores accionistas o grupo BAIC, pertença do Estado comunista chinês, e Li Shufu, o principal accionista e CEO do grupo privado Geely. O primeiro controla 9,98% das acções de um dos mais reputados construtores germânicos, enquanto Shufu controla 9,69%.
Para complicar ainda mais o trabalho do senado, um dos senadores norte-americanos mais proeminentes, o eleito pelo Texas Ted Cruz, fez marcha-atrás e assim que se apercebeu que a Mercedes iria ser uma vítima da nova proposta, prometendo desde logo para defender o construtor germânico. O primeiro senador cubano/americano foi o primeiro a chamar a atenção para o potencial afastamento da Mercedes, com o senador Bernie Moreno a garantir que a marca alemã tem até 2030 para esclarecer (ou alterar) o seu mix de accionistas.
A guerra do Governo americano contra a dependência da China arrancou com a decisão de banir a Polestar dos EUA, com a legislação preparada pelos americanos contra os carros com software dos “connected cars” a partir de 2027 e com hardware geral que possa colocar em causa a segurança nacional, a partir de 2030. Isto vai provocar muitos construtores a procurar fornecedores “não chineses”, para determinados hardware e software, que até aqui eram chineses, segundo a Reuters.
A nova lei que o senado americano prepara vai correr literalmente com as marcas chinesas, privadas ou pertença do Estado asiático, o que significa que irá afastar marcas como a Polestar, a MG, a Lotus e até a própria Volvo, caso venha a ser implementada, tal como está. Sucede que tanto a Volvo como a Mercedes, ambas com importantes fábricas em território norte-americano, estão bem posicionadas para serem beneficiadas por um espécie de perdão, que, em princípio, lhes deverá permitir continuar a vender veículos aos clientes americanos.