EUA acusam Cuba de décadas de atividades subversivas contra Washington

O documento do Departamento de Estado sustenta que Havana travou uma "longa guerra de desgaste organizada em torno da espionagem, infiltração, sabotagem, redes paralelas e uma infraestrutura revolucionária destinada a colocar os Estados Unidos contra si próprios".

Segundo o documento da diplomacia dos EUA, Cuba conseguiu infiltrar agentes no corpo diplomático norte-americano e no Departamento da Defesa "durante décadas" e "nos mais altos escalões", sem ser detetada.

O relatório cita como exemplo o caso de Ana Montes, antiga analista dos serviços de informações militares dos Estados Unidos, condenada em 2002 a 25 anos de prisão por espionagem a favor de Cuba. Ana Montes, conhecida como a "rainha de Cuba", foi libertada em janeiro de 2023 após cumprir mais de 20 anos de prisão.

Washington acusa ainda o Governo cubano de ter construído uma "vasta rede revolucionária" em território norte-americano, estabelecendo ligações, ao longo dos anos, com movimentos de esquerda, incluindo os Panteras Negras, e, atualmente, com grupos socialistas e organizações críticas da agência federal norte-americana de imigração (ICE).

A divulgação do relatório surge numa altura de agravamento das tensões entre Washington e Havana, após a administração republicana liderada pelo Presidente Donald Trump reforçar as sanções contra Cuba, restringir o fornecimento de petróleo e anunciar novas medidas de pressão sobre o regime comunista.

Desde a detenção, em janeiro, do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana, o Governo norte-americano tem intensificado a retórica contra Cuba.

Donald Trump tem afirmado que Cuba representa "uma ameaça extraordinária" para a segurança nacional dos Estados Unidos, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou em maio que Washington está "determinado" a promover mudanças na ilha caribenha.

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