“O Estreito de Ormuz está ABERTO e vai manter-se ABERTO, com ou sem o Irão. Estamos a restabelecer O BLOQUEIO AOS IRANIANOS", vincou Donald Trump na rede Truth Social.
Os EUA “serão reembolsados à taxa de 20% de todas as mercadorias devido a todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável”.
Acrescentou que esta cobrança e o bloqueio iraniano serão implementados de imediato, sem adiantar mais esclarecimentos.
“Os Estados Unidos serão, a partir deste momento, conhecidos como os ‘GUARDIÃES DO ESTREITO DE ORMUZ’, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20%” para garantir a segurança da travessia.
Na reação a esta decisão, a agência da ONU dedicada à navegação marítima opôs-se à cobrança de taxas para navios que transitam em vias navegáveis marítimas, mas adianta que vai aguardar por novos detalhes por parte da Administração Trump.
"Sempre fomos consistentes na nossa posição sobre as taxas – a OMI [Organização Marítima Internacional] opõe-se firmemente à cobrança de taxas para a passagem por estreitos utilizados para a navegação internacional. Não existe base legal para a introdução de taxas obrigatórias simplesmente para transitar por um estreito", adiantou um porta-voz da OMI.
Também a União Europeia criticou a imposição de taxas nesta via, sem deixar de apontar aos ataques do Irão que, considera, "violam o direito internacional" e o memorando de entendimento com os EUA.
"Antes da guerra, o estreito de Ormuz estava aberto à navegação sem a imposição de portagens. Após o fim da guerra, o estreito deverá continuar aberto à navegação sem portagens. Os ministros foram claros ao afirmar que a liberdade de navegação não pode ser obstruída", afirmou a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, após a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.
Esta não é a primeira vez que os EUA anunciam o bloqueio dos portos iranianos. Em abril, as forças norte-americanas aplicaram um bloqueio a todos os navios que viajassem para ou a partir de território iraniano, uma resposta ao encerramento do Estreito de Ormuz pelo Irão.
Na altura, tratava-se de uma tentativa de impedir Teerão de lucrar com exportações de petróleo. Medida que os iranianos classificaram como "pirataria" por parte dos Estados Unidos.
O bloqueio tinha ficado suspenso no âmbito do cessar-fogo e na sequência do memorando de entendimento, assinado a 17 de junho.
Desta vez, ao anunciar o bloqueio, Trump impôs também uma taxa de 20 por cento sobre toda a carga transportada por esta importante via.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas mundiais para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito: no início do ano, cerca de um quinto do petróleo mundial circulava por este corredor.
Desde o início da guerra, com os ataques norte-americanos e israelitas em solo iraniano, em 28 de fevereiro deste ano, esta via tornou-se num palco central da discórdia entre EUA e Irão.
c/ agências