Os incêndios de Madrid, Ávila e Toledo continuam esta terça-feira ativos, mas a evolução do combate às chamas foi “razoavelmente positiva” durante a noite. O que leva o Governo espanhol a deixar uma nota de tranquilidade, embora à cautela. “Vamos passo a passo”, sublinha o ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska.
“Hoje estamos satisfeitos, muito satisfeitos, com o trabalho destes dias e da última noite. Vamos consolidar o avanço desta noite no ataque ao fogo. Continuaremos a dar passos e a avançar para as próximas fases”, afirmou já esta manhã o governante espanhol, para assinalar que o combate ao fogo em Madrid e Ávila perdura há “seis dias muito complicados”.
Jornal da Tarde | 28 de julho de 2026
Na última noite, meia centena de equipas terrestres esteve em ação nas imediações do Rio Cofio, na Comunidade de Madrid, um dos teatros de operações mais complexos no combate a incêndios que já cobriram mais de 77 mil hectares do país vizinho.Espera-se para esta terça-feira uma subida gradual das temperaturas. Os bombeiros enfrentam assim horas cruciais perante o advento de nova vaga de calor a território espanhol.
Ao início da manhã, nas redes sociais, a Delegação do Governo espanhol na região autónoma de Madrid confirmava que as movimentações levadas a cabo pelo dispositivo durante a noite e a madrugada “permitiram conter o avanço nas frentes ativas” e “reduzir a ameaça”.
“Ainda assim, o incêndio continua ativo e não está controlado, pelo que hoje os trabalhos se centrarão na vigilância e no refrescamento das zonas afetadas face ao previsível agravamento das condições meteorológicas”, advertiu, no entanto, a Delegação do Governo.
Mais de 56 mil pessoas afetadas em Madrid
No mais recente balanço, a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, elevou para perto de 34 mil hectares a estimativa da área atingida, na região, pelos incêndios.
Na rede social X, Ayuso adiantou ainda que foram afetadas mais de 56.500 pessoas foram afetadas pela emergência em 12 municípios evacuados e outros quatro onde foi decretado o confinamento.
Balance incendios forestales.
28 julio - 10:00 horas.
🚒
- Efectivos Cuerpo bomberos, bomberos forestales y agentes forestales CM: 300
- Medios aéreos disponibles: 10 medios aéreos de la CM.
- Vehículos terrestres: 50
- Hectáreas afectadas CM: aproximadamente 34.000🏠…
— Isabel Díaz Ayuso (@IdiazAyuso) July 28, 2026
Só em Madrid, a resposta ao fogo continua a mobilizar 300 profissionais, apoiados por dez aeronaves e 50 veículos terrestres.
Risco “muito elevado” ou “extremo”
O incêndio de Ávila, que é já considerado o maior em Espanha desde que há registos, com mais de 50 mil hectares ardidos, apresentava igualmente, nas últimas horas, um quadro “bastante mais favorável”, de acordo com as autoridades de Castela e Leão.
Em Toledo, na região de Castela La Mancha, a melhoria da situação deverá abrir caminho ao regresso a casa dos habitantes de nove das 11 localidades evacuadas no fim de semana, indicou o Ministério espanhol da Administração Interna.A Generalitat Valenciana suspendeu o confinamento em La Vall d'Uixó, na província de Castellón. Cerca de seis mil habitantes puderam já retornar às respetivas casas.
A Aemet fez entretanto subir o nível de risco de incêndios para “muito alto” ou “extremo” em grande parte da região de Madrid. No X, a Agência Estatal de Meteorologia reiterou o apelo para que se evite comportamentos de risco, nomeadamente acender fogueiras ou descartar pontas de cigarros.
⚠️ AVISO ESPECIAL | OLA DE CALOR
➡️ Un nuevo episodio afectará buena parte de la Península y Canarias.
➡️ La ola de calor será larga: durará, al menos, hasta el domingo.
➡️ Subirá el peligro de incendios a niveles extremos.
+ info 👉https://t.co/48Lsr8QC4f pic.twitter.com/DA1cfVxS6u
— AEMET (@AEMET_Esp) July 27, 2026
O Governo de Pedro Sánchez declarou a situação de emergência nacional em Madrid, Ávila e Toledo devido aos incêndios florestais, que obrigaram a confinar ou a deslocar mais de 90 mil pessoas desde a passada quinta-feira.
A área ardida em todo o território espanhol, desde o início deste ano, ascende a 170 mil hectares – é seis vezes mais do que no mesmo período de 2025.
c/ agências