Eleições 2026: Convenções partidárias começam nesta segunda-feira

Convenções partidárias começam na segunda-feira
Neste ano, o primeiro turno do pleito está programado para ocorrer no dia 4 de outubro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

As convenções partidárias, etapa que oficializa os candidatos às eleições gerais de 2026, começam na próxima segunda-feira (20) e seguem até 5 de agosto. É nesse período que partidos e federações definem os nomes que disputarão os cargos em outubro e deliberam sobre a formação de coligações. Embora a formalização ocorra agora, especialistas ouvidos pela Tribuna de Minas afirmam que as principais negociações e estratégias eleitorais já vêm sendo construídas nos bastidores há meses.

O cientista político Diogo Tourino lembra que a convenção é um marco importante, do ponto de vista do calendário formal do período eleitoral, por fazer parte de uma série de determinações legais que precisam ser cumpridas.

“Agora, ainda que ela seja esse marco legal importante, a gente não pode ser inocente e ignorar o fato de que parte expressiva das negociações, das discussões, dos nomes, das costuras, são feitas antes”, pondera.

Portanto, hoje em dia, o fórum no qual acontecem as discussões não é apenas a própria convenção em si, como era no início do processo de redemocratização: “Partidos que não conseguiam que as suas executivas produzissem consensos anteriores acabavam tendo que lidar com algumas insatisfações”, aponta. Ele relembra que, nos anos 80, existiram casos em que as convenções eram bem mais exaltadas, até mesmo com agressões.

Quanto as convenções mineiras neste ano, o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) acredita que o grande desafio será a formação da chapa do Partido dos Trabalhadores (PT), que ainda discute um nome representativo para liderá-la no estado. Além disso, o fato de serem duas vagas para o Senado Federal deixa o tabuleiro um pouco mais complexo.

“A gente tem duas vagas para o Senado, então, acho que esse ano o tabuleiro está um pouco mais complexo nesse aspecto”, argumenta Diogo.

Embora ele acredite que o momento formal apenas chancelará o que já foi previamente discutido, Diogo defende que quem atua nos bastidores ainda utiliza esse momento de pré-campanha para alguns dos principais processos para se lançar uma candidatura – que prosseguem até o próprio período eleitoral, iniciado oficialmente a partir de 16 de agosto –, por causa do dinamismo intenso e da interferência de fatos do dia a dia.

Da estratégia ao discurso

A oficialização das candidaturas é apenas uma das etapas da disputa eleitoral. Nos bastidores, partidos, candidatos e estrategistas já trabalham há meses na definição de discursos, narrativas e estratégias que serão levadas ao eleitor durante a campanha.

“Normalmente, o processo é (iniciado por) uma pesquisa quantitativa e uma qualitativa”, explica o estrategista político, Rômulo Veiga.

“Disso a gente tira um diagnóstico, vai para um pré-teste, em que a gente leva já alguns argumentos de campanha baseado no contexto, avalia se o impacto foi positivo ou negativo, quais ajustes são necessários na narrativa proposta, para chegar ali entre 16 de agosto e 28 de agosto com um conteúdo estruturado, diagnóstico e validado em algum nível de pesquisa”, complementa.

Segundo Rômulo, a efetividade do planejamento estratégico feito é descoberta mesmo a partir do dia 28, nos primeiros dias oficiais do período eleitoral, quando se entra em processo de campanha intensa. Até lá, as etapas elencadas pelo estrategista são: diagnóstico, estratégia e discurso.
Para o diagnóstico, é considerado o contexto em que a eleição está ocorrendo, mapeando os temas mais relevantes, como segurança, saúde ou educação, tomando cuidado para não se tornar generalista. Também se analisa o próprio candidato que está tendo a campanha trabalhada, pois, segundo Rômulo, “o carisma é o que mais move votos”.

A busca é por um artifício que tenha valor, seja o histórico, seja alguma característica da personalidade que precisa ser potencializada ou atenuada.
Outra variável fundamental é avaliar o espaço político, especialmente com a polarização consolidada. Existem cidades, segundo explicado, cujo eleitorado tem tendência mais à direita, outras mais à esquerda, outras menos politizadas.

“Então, num primeiro turno, pensando na majoritária, se eu tenho uma cidade mais à esquerda, mas também tenho uma pluralidade de candidatos de esquerda, nesse primeiro momento eu preciso galvanizar o eleitor centro-progressista em torno do meu nome, por exemplo”, explica o estrategista.
Analisando essas variáveis, segue Rômulo, desenha-se um propósito, que determina também a estratégia de abordagem. A tradução desses dados junto da estratégia vira discurso através de um viés criativo. É aí que a discussão se volta para a retenção da atenção.

“A gente não muda o candidato, até porque o candidato tem história”, acredita Rômulo.

“Mas eu consigo atualizar o discurso desse candidato, trazendo mais uma leitura social do que a leitura hermética política que ele tem”, explica o jornalista, ao ilustrar o papel do estrategista político em uma campanha eleitoral e destacar a importância das percepções sociais obtidas por meio das pesquisas qualitativas. Com a narrativa definida, a campanha passa a utilizar diferentes formatos para apresentar o candidato ao eleitor, entre eles vídeos impulsionados, conteúdos orgânicos, materiais gráficos e atos de campanha.

Relembre as principais datas do calendário eleitoral

Com o início das convenções partidárias, o calendário eleitoral entra em uma nova fase. Até 5 de agosto, partidos e federações vão oficializar candidaturas e definir coligações. O pedido de registro dos candidatos deve ser apresentado à Justiça Eleitoral até 15 de agosto, um dia antes do início oficial da campanha.

Na sequência, começa o período de propaganda eleitoral, incluindo o Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral, previsto entre 28 de agosto e 1º de outubro no primeiro turno e, onde houver, entre 9 e 23 de outubro no segundo turno. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Já o segundo turno, nos estados e para a Presidência da República em que houver nova votação, está marcado para 25 de outubro.

Neste ano, o eleitorado vai à urna para escolher Presidente da República, governador, dois senadores por estado, deputados federais e deputados estaduais.

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