Pela primeira vez desde que o Pew Research Center começou a acompanhar a perceção global sobre as grandes potências, em 2002, a China ultrapassou os Estados Unidos em reputação internacional.
Segundo o estudo anual do centro de investigação americano, divulgado na passada quinta-feira, Pequim é hoje vista de forma mais favorável do que Washington em 27 dos 36 países analisados, invertendo uma tendência que se manteve durante mais de duas décadas.
A mediana das opiniões favoráveis sobre a China atingiu os 46%, enquanto a dos Estados Unidos caiu para 36%, numa mudança que coincide com o segundo ano do regresso de Donald Trump à Casa Branca.
Imagem dos EUA continua a degradar-se
O relatório mostra que a popularidade dos Estados Unidos já tinha sofrido um recuo no primeiro ano do segundo mandato de Trump, passando de uma mediana de 54% para 48%. Ainda assim, Washington mantinha vantagem sobre a China, cuja avaliação tinha subido de 33% para 38%.
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Um ano depois, essa vantagem desapareceu e foi substituída por uma inversão histórica.
Espanha destaca-se entre os países mais favoráveis à China
Entre os países que mais mudaram de posição está Espanha.
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Há apenas três anos, os Estados Unidos recolhiam uma opinião favorável de 55% dos espanhóis, contra 28% da China. Hoje, o cenário é inverso: 54% têm uma imagem positiva da China, enquanto apenas 30% dizem o mesmo dos Estados Unidos.
Segundo o Pew Research Center, Espanha é o país europeu onde a diferença a favor de Pequim é mais acentuada, sendo apenas ultrapassada pela Grécia na avaliação positiva da China.
Xi ganha confiança, Trump perde apoio
A perceção dos líderes também ajuda a explicar os resultados.
A percentagem de inquiridos que afirma confiar em Xi Jinping para “fazer o que está certo” aumentou de 25% para 31% num ano.
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Já Donald Trump registou uma queda significativa, passando de 32% para apenas 21%.
Washington continua a ser vista como a potência que mais interfere no mundo
O estudo conclui ainda que os Estados Unidos continuam a ser considerados muito mais interventivos nos assuntos de outros países do que a China.
Três em cada quatro inquiridos (75%) afirmam que Washington interfere “muito” ou “algum tanto” na política de outras nações, enquanto apenas 45% fazem a mesma avaliação relativamente a Pequim.
Direitos humanos continuam a separar as duas potências
Apesar da melhoria da imagem internacional da China, a maioria dos inquiridos continua a considerar que tanto Pequim como Washington violam os direitos humanos.
Ainda assim, quando questionados sobre qual dos dois países respeita esses direitos, 39% responderam que os Estados Unidos o fazem, enquanto apenas 26% atribuíram essa característica à China.
O estudo baseia-se em mais de 42 mil entrevistas realizadas entre fevereiro e maio deste ano, por telefone, online e presencialmente, em 36 países, marcando a primeira ocasião em que a China surge à frente dos Estados Unidos na série histórica iniciada em 2002.