Ecrãs dos carros estão a "roubar" atenção ao volante

Muitos automóveis atuais surgem com ecrãs táteis centrais a bordo, entre os mais modestos com um simples ecrã para o essencial a modelos mais avançados tecnologicamente em que o ecrã é indispensável para controlar funções importantes - incluindo a climatização.

O órgão sueco Vi Bilägare testou os ecrãs de dez veículos novos, bem como um Volvo V60 de 2016, chegando a resultados preocupantes. Os condutores participantes circularam a velocidades de autoestrada, num teste em ambiente controlado num aeródromo.

Antes de assumirem o volante, os participantes puderam conhecer os sistemas de cada viatura. Depois, enquanto conduziam, as pessoas foram desafiadas a realizar vários ajustes ao carro através do ecrã central - desde mexer nas configurações da climatização à mudança da estação de rádio, passando pela definição do brilho do próprio ecrã. E até foi considerado o uso de luvas.

A experiência do site nórdico indica que, em média, foram necessários 813 metros para realizar tarefas a uma velocidade de 110 km/h - mais do que os 756 metros do teste anterior realizado em 2022, num aumento superior a sete por cento.

Por outras palavras, são necessários cerca de mais dois segundos, pese embora a melhoria dos sistemas e o aumento do tamanho dos ecrãs neste período de quatro anos. E, embora não pareça muito, em autoestrada dois segundos permitem percorrer uma distância considerável enquanto o foco se desvia do tráfego para a operação do ecrã.

O pior desempenho foi do Mazda CX-60 (1.137 metros), seguido do Mercedes-Benz CLA (1.160 metros), com o Toyota Corolla Cross em terceiro (1.024 metros).

De referir que o Tesla Model Y - praticamente despido de botões físicos - teve um resultado melhor do que o Model 3 há quatro anos, percorrendo 608 metros.

Mas o melhor foi mesmo o Volvo XC60, em que os condutores conseguiram completar as tarefas e travar em 485 metros - o que indicia um desenho intuitivo e com fácil acesso a funções essenciais.

Comparativamente, foi incluído o teste de 2022 a um Volvo V70 de 2005 - ou seja, de há mais de 15 anos, quando a digitalização e os ecrãs ainda não eram tão comuns e desenvolvidos como hoje. O modelo sueco foi melhor do que todos os testados em 2026, com uma distância de 300 metros.

Se os ecrãs têm vindo a ficar maiores e são montados em posições mais orientadas ao condutor, para além do salto tecnológico natural, então por que é que o desempenho piorou? A "culpa" pode residir no quão intuitiva e simples é a operação dos mesmos durante a condução.

Há alguns meses, o ADAC - maior clube automóvel da Europa - já tinha alertado que há certas funções nos menus e submenus dos ecrãs táteis que podem originar "períodos de distração da estrada perigosamente longos", sendo "ainda mais difíceis de usar" em modelos novos.

E observou: "Parece totalmente paradoxal que usar smartphones nos carros seja (e bem) proibido, enquanto operar enormes tablets - que é essencialmente o que são estes ecrãs - é permitido".

Ecrãs táteis nos carros põem segurança em risco

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Muitos dos carros mais modernos estão equipados com ecrãs táteis, que dão acesso a funções como navegação ou climatização, bem como entretenimento multimédia. Mas a usabilidade pode dar origem a distrações, criando um problema de segurança.

Bernardo Matias | 14:19 - 28/01/2026