Duas comissões de inquérito prometem incendiar a rentrée política - 24 Notícias

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A Assembleia da República poderá ter duas novas comissões parlamentares de inquérito na próxima sessão legislativa. O Chega confirmou que vai avançar com uma comissão de inquérito potestativa aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ), enquanto o PS admite criar uma segunda comissão de inquérito caso o Governo não esclareça as dúvidas relacionadas com o atual ministro da Administração Interna.

Chega usa poder potestativo para investigar Luís Neves

O anúncio foi feito esta sexta-feira por André Ventura, que confirmou ter dado instruções ao grupo parlamentar para apresentar, em setembro, uma comissão parlamentar de inquérito aos oito anos em que Luís Neves dirigiu a Polícia Judiciária. Com 60 deputados, o Chega dispõe do número necessário para impor a constituição de uma comissão de inquérito potestativa, sem depender da aprovação dos restantes partidos.

Ventura justificou a iniciativa com as polémicas que envolvem o atual ministro da Administração Interna, nomeadamente as obras realizadas numa propriedade em Odemira por uma empresa que anteriormente trabalhou para a PJ e o caso do atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado nas instalações dessa mesma empresa. O líder do Chega rejeitou, contudo, que a iniciativa seja "contra a Polícia Judiciária", afirmando que pretende apenas apurar responsabilidades políticas pela atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da PJ.

O próprio Luís Neves reagiu ao anúncio dizendo estar "totalmente disponível para prestar todos os esclarecimentos", chegando mesmo a afirmar: "Ainda bem".

PS admite avançar com nova comissão de inquérito

Também esta sexta-feira, o PS deixou em aberto a possibilidade de avançar com uma comissão parlamentar de inquérito, mas apenas se considerar insuficientes as explicações prestadas pelo Governo sobre o caso que envolve Luís Neves.

Segundo o líder parlamentar socialista, o partido pretende, numa primeira fase, obter esclarecimentos políticos e avaliar a documentação disponível. Caso essas respostas não sejam consideradas satisfatórias, os socialistas admitem recorrer igualmente ao mecanismo parlamentar de investigação.

A posição do PS difere da do Chega por não prever, para já, uma comissão potestativa imediata. Os socialistas defendem que a prioridade passa por exigir explicações ao Governo antes de decidir se existem fundamentos para abrir uma investigação parlamentar.

Setembro poderá marcar novo confronto político

Com o Parlamento em pausa durante o verão, as duas iniciativas deverão ganhar forma apenas no arranque da próxima sessão legislativa, em setembro.

Se avançarem ambas, a Assembleia da República poderá discutir em simultâneo duas frentes de escrutínio relacionadas com Luís Neves: uma comissão de inquérito já garantida pelo Chega e outra que o PS admite promover caso considere insuficientes os esclarecimentos prestados pelo Executivo.

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