O dono de um restaurante distinguido com duas estrelas Michelin enfrenta uma pena de um ano de prisão, por ter utilizado formigas, cujo consumo não é permitido na Coreia do Sul, na confeção de vários pratos.
Na segunda-feira, o Ministério Público pediu que o homem, identificado como A, fosse condenado a um ano de prisão por violação da Lei de Higiene Alimentar. A empresa responsável pelo estabelecimento de restauração, por seu turno, enfrenta uma multa de 20 milhões de won (cerca de 11.873 euros), de acordo com a agência Yonhap.
O caso veio à tona na sequência de uma investigação do Ministério da Segurança Alimentar e dos Medicamentos, que apurou que, "entre abril de 2021 e novembro de 2024, [o lesado] importou dois tipos de produtos à base de formigas secas dos Estados Unidos e da Tailândia, através do correio internacional, entre outros meios". Acresce que, "entre abril de 2021 e janeiro de 2025, durante cerca de 3 anos e 9 meses, colocou 3 a 5 formigas em alguns pratos servidos no restaurante que gere, com o objetivo de conferir ‘acidez’, tendo vendido cerca de 12.000 porções, no valor de 120 milhões de won [cerca de 71.239 euros]".
Em concreto, o restaurante terá vendido gelados à base de formigas e, segundo o Ministério Público, foram usados 49 mil insetos na preparação dos pratos.
"O Ministério da Segurança Alimentar e dos Medicamentos iniciou uma investigação após ter constatado, em publicações online, como blogs e redes sociais, que um determinado restaurante vendia pratos em que se colocavam ‘formigas’ – insetos – sobre a comida, com o objetivo de apurar as circunstâncias exatas do caso. Atualmente, a Coreia do Sul reconhece apenas 10 espécies de insetos como comestíveis, incluindo gafanhotos e larvas de traça-castanha, pelo que as ‘formigas’ não podem ser utilizadas como ingrediente alimentar", explanou a entidade, num comunicado divulgado no início do mês.
Ainda que tenha reconhecido a veracidade da maioria dos factos apresentados pela acusação, a defesa ressalvou que o número de formigas utilizado não correspondia à realidade.
"Não servíamos formigas aos clientes que as recusavam. […] Cerca de 60% dos clientes aceitaram, mas o Ministério Público fez os cálculos partindo do princípio de que todos os clientes aceitaram", apontou o advogado Seo Min-seok, citado pela Yonhap.
O profissional apontou também que "os pratos que incluem formigas representam uma parte ínfima dos 15 pratos do menu", além de ter recordado que "restaurantes em vários países, como a Dinamarca, o Reino Unido e a Austrália, utilizam formigas como ingrediente".
Contudo, o Ministério da Segurança Alimentar e dos Medicamentos frisou que, "para utilizar ‘formigas’ para consumo humano, é necessário cumprir os procedimentos previstos na legislação de higiene alimentar, nomeadamente a obtenção de um reconhecimento temporário das normas e especificações por parte da Agência". Foi nessa linha que "solicitou às autoridades competentes que tomassem medidas, incluindo sanções administrativas, contra o restaurante em questão, que não cumpriu esses procedimentos".
A sentença será proferida no dia 2 de setembro, de acordo com a Yonhap.
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