Dólar forte está de volta? Como o mercado pode reagir - e quais ações devem ganhar

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O retorno da força do dólar global voltou a acender o alerta para mercados emergentes, mas analistas avaliam que o Brasil pode atravessar esse cenário em posição relativamente melhor do que boa parte de seus pares. De qualquer forma, ressaltam a importância de manter proteção cambial nas carteiras diante de um ambiente que combina juros elevados nos Estados Unidos e aumento das incertezas locais.

Em relatório recente, o Bank of America (BofA) alertou que os riscos de valorização adicional da moeda americana cresceram com a perspectiva de uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve. O banco projeta uma alta acumulada de 0,75 ponto percentual nos juros americanos em 2026, acima do que o mercado vinha precificando.

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Historicamente, esse tipo de movimento costuma representar um desafio para os emergentes. Segundo levantamento do BofA, desde 2002, as bolsas desses países registraram perdas médias de cerca de 9% ao ano em dólares durante ciclos de fortalecimento do índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas. Na América Latina, a queda média foi ainda mais intensa, próxima de 10% ao ano.

A Genial Investimentos chega a uma conclusão semelhante, mas acrescenta outros fatores que ajudam a sustentar a tese de um dólar mais forte. Entre eles estão a manutenção de juros elevados nos EUA, a concentração dos fluxos globais em ações ligadas à inteligência artificial e tecnologia e os riscos domésticos brasileiros, como o cenário fiscal e a aproximação das eleições.

Segundo os estrategistas da casa, os Estados Unidos seguem atraindo recursos globais não apenas por causa dos juros mais altos, mas também pelo protagonismo das gigantes de tecnologia no atual ciclo de investimentos em inteligência artificial. Isso faz com que investidores internacionais demandem dólares antes mesmo de investir em ações americanas.

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Apesar disso, o BofA avalia que o Brasil reúne características que podem torná-lo relativamente mais resiliente nesse ambiente. Um dos fatores é o elevado diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, atualmente próximo dos maiores níveis das últimas duas décadas. Esse spread favorece operações de carry trade e ajuda a sustentar a demanda por ativos brasileiros.

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Além disso, diferentemente de outros emergentes, a maior parte da dívida pública brasileira é denominada em moeda local, reduzindo a exposição direta a movimentos bruscos do câmbio.

O câmbio, porém, continua sendo uma variável importante para a inflação. O BofA estima que uma depreciação de 10% do real poderia acrescentar aproximadamente 1 ponto percentual à inflação acumulada em 12 meses.

Na visão da Genial, o principal risco para a moeda brasileira no segundo semestre está relacionado ao aumento da incerteza eleitoral. A casa considera possível uma migração do dólar para a faixa entre R$ 5,40 e R$ 5,80 caso haja deterioração do ambiente político e saída de recursos do país.

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Para quem investe em Bolsa, as duas análises apontam um grupo de empresas que tende a sair ganhando em um cenário de dólar mais valorizado: as exportadoras. O BofA destaca companhias como Vale (VALE3), JBS (JBSS32), Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e SLC Agrícola (SLCE3), que possuem receitas dolarizadas e se beneficiam quando a moeda americana sobe frente ao real.

Já a Genial defende que os investidores considerem aumentar a exposição a ativos dolarizados. Entre as alternativas citadas estão fundos cambiais, investimentos em renda fixa internacional e aplicações na Bolsa americana por meio de BDRs (recibo de ações negociados na Bolsa brasileira de empresas internacionais) e ETFs (fundo de índice). Segundo a Genial, o dólar deve ser visto menos como uma aposta direcional e mais como uma proteção para patrimônios concentrados em ativos brasileiros.

As duas casas também ressaltam que a trajetória do dólar não depende apenas do cenário americano. Questões como a dinâmica fiscal dos próprios Estados Unidos, os preços das commodities e o comportamento dos fluxos globais continuarão sendo fatores relevantes para determinar até onde pode ir a valorização da moeda americana nos próximos meses.

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