Sem ficheiros com as notas, sem pautas e sem orientações. Assim se encontravam várias escolas do país cerca das 16 horas desta sexta-feira, o dia indicado ainda esta manhã pelo ministro da Educação para serem afixadas as notas da primeira fase dos exames nacionais do 11.º e 12.º anos.
Os diretores ouvidos pelo Observador ressalvaram que as secretarias das escolas — que têm um papel importante em desfazer o anonimato dos exames nacionais e cujo coordenador dos serviços administrativos tem que assinar as pautas das notas — fecham cerca das 17 horas. Alguns têm as suas equipas prontas a trabalhar até pelo menos às 19 horas, quando as escolas encerram. Mas sentem-se todos sem respostas. “O Júri [Nacional de Exames] que nos mande um email a dizer, ‘aguardem meia hora’, ou ‘vamos lançar dentro de uma hora'”, pede Rosária Alves, diretora do Agrupamento de Escolas de Benfica, em Lisboa.
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No fim do Conselho de Ministros, também Leitão Amaro assegurou que o Júri Nacional de Exames e as escolas tinham as “condições” para as notas serem publicadas esta sexta-feira. Mas o ministro da Presidência não definiu uma hora limite para as pautas serem afixadas.
“Estamos aqui, tudo suspenso”, conta Luís Henriques, diretor do Agrupamento de Escolas Agualva-Mira Sintra, em Sintra, ao Observador. Estima esperar pelas classificações até às 19 horas. Considera até, quando a plataforma que permite o envio dos ficheiros PDF dos exames começar a funcionar, fazer todos os possíveis para os enviar a todos os alunos: “Alguns de nós, se calhar, vamos ter que trabalhar durante o fim de semana para enviar os resultados.”
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Sem orientações superiores, cada escola tenta responder à situação com os meios de que dispõe. “Desde que a escola esteja aberta, que é até às 19 horas, os alunos podem vir.”
Rosária Alves lembra que as escolas têm horários de funcionamento, e que as secretarias fecham cerca das 17 horas. “Nós temos uma equipa montada, de modo a que se as provas chegarem dentro do que é um horário normal [até às 19 horas], nós vamos garantir a abertura da escola para os alunos poderem ver as classificações.”
“Agora, não vou abrir a escola às dez da noite, nem à meia-noite, nem ao fim de semana”, sublinha. “Os alunos estão ansiosos, temos falado com os pais. Mas agora temos que aguardar. Neste momento, não podemos fazer mais”, lamenta a diretora da escola lisboeta.
Aos seus alunos, aconselhou a inscreverem-se na segunda fase dos exames nacionais, mesmo por cautela. “Assim que abrir a plataforma PIEPE, depois de o resultado dos exames ser conhecido, os alunos que se inscrevam. O pior que pode acontecer é gostarem do que vão ver nas notas e não quererem vir [à segunda fase].”
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Na sua escola, a consulta da digitalização da resposta aos exames nacionais será feita através de um requerimento que, mesmo com a secretaria encerrada, pode ser enviado por email. Já Luís Henriques decidiu alargar a consulta da digitalização a todos os alunos, sem requerimento.
Outra diretora escolar ouvida pelo Observador também sublinhou que, às 19 horas, as escolas encerram. Ao seu lado, apesar do fecho da secretaria, está a equipa de secretariado e, nesta escola, também foi decidido dar acesso às digitalizações dos exames a todos os alunos. “Quando cheguei de manhã, tinha uma fila de pais a pedir para meter o requerimento para ver a prova. As pessoas estão muito revoltadas”, lamenta.