O furto de componentes automóveis, em particular de catalisadores, aumentou em quase 19 por cento nos primeiros seis meses do ano, atingindo uma média de cerca de quatro ocorrências diárias. O balanço é avançado esta sexta-feira pela Guarda Nacional Republicana, que apela aos proprietários para que redobrem a atenção.
Em comunicado, a GNR sublinha que “esta dinâmica criminal, que totalizou 685 crimes nos primeiros seis meses do ano, em contraste com os 577 registados no período homólogo, é impulsionada pela forte valorização dos metais preciosos contidos no interior dos catalisadores nos mercados internacionais”.
Os furtos, faz notar a Guarda, “não visam a reutilização ou venda da peça completa como componente automóvel de substituição”. Em causa está a “extração rápida dos metais do Grupo da Platina”, materiais “altamente valorizados a nível global devido à sua escassez e importância industrial, com cotações que atingiram picos elevados em 2026, tornando o crime lucrativo para redes organizadas”.“A execução material é efetuada com recurso a rebarbadoras portáteis a bateria, capazes de extrair o componente em menos de um minuto, sendo as peças escoadas rapidamente através de circuitos ilegais de recetação”, lê-se no comunicado da Guarda Nacional Republicana.
De acordo com este balanço, no primeiro semestre de 2026 houve um aumento de 108 crimes - 18,72 por cento – no furto de acessórios ou peças de veículos motorizados, relativamente ao mesmo período do ano passado.
O número de ocorrências ascendeu assim a 685; destas, 178 resultaram em processos-crime por roubo de catalisadores.
Quanto à distribuição geográfica, Setúbal surge como o distrito com mais casos destes furtos, com 135, um acréscimo de 40 relativamente a 2025. Seguem-se o Porto com 113 casos (mais 14 face a 2025), Lisboa com 93 casos (mais 21) e Aveiro, com 59 casos, uma subida de 22.Há registo de aumentos pronunciados em distritos como Portalegre (mais 200 por cento), Viseu (mais 150 por cento) e Leiria (mais 71 por cento), o que, na perspetiva da GNR, demonstra “a elevada mobilidade geográfica das redes criminosas do litoral para o interior”.
“No combate geral à criminalidade contra veículos motorizados, foram efetuadas oito detenções em 2025 por furto de acessórios/peças em veículo motorizado e seis detenções no primeiro semestre do corrente ano”, indica o comunicado.
A GNR tem vindo a intensificar “as ações de vigilância e fiscalização direcionadas a oficinas e operadores de gestão de resíduos e sucateiras, promovendo o controlo exaustivo de metais entregues para reciclagem e a exigência de documentação de proveniência, a par do reforço da fiscalização rodoviária a viaturas suspeitas de transporte de ferramentas de corte e componentes furtados”.