A estreia oficial da campanha deste ano se aproxima, com um cenário de vantagem para Lula (PT) que começou a se desenhar com o recente inferno astral de Flávio Bolsonaro (PL). O senador vem tropeçando, semana após semana, em crises que dificultam sua recuperação desde o escândalo "Dark Horse".
Apesar dos infortúnios do rival, o petista não deu exibições de fôlego que lhe permitam disparar. A diferença de cinco pontos na pesquisa Datafolha, mantida no segundo turno, é considerada modesta e vai testar se Lula chega a esta eleição com um teto que o levará a mais uma disputa apertada.
Pontos-chave
- As dificuldades enfrentadas por Flávio sustentam a vantagem de Lula na pré-campanha, permitindo ao petista avançar em grupos como eleitores do Sudeste, onde a vantagem que o bolsonarismo exibiu em eleições passadas agora dá lugar a um empate técnico.
- O atual presidente conquistou terreno entre eleitores que não se dizem lulistas nem bolsonaristas, invertendo uma vantagem numérica que era de Flávio até o escândalo "Dark Horse".
- Embora o rival passe por uma série de infortúnios, Lula se mantém no mesmo patamar de popularidade e intenção de voto há meses, sugerindo uma limitação de espaço para crescimento.
- O eleitor nem-nem se divide na passagem do primeiro para o segundo turno. Lula tem uma rejeição maior nesse grupo, e a avaliação do governo fica abaixo da média.
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Sudeste - 2º turno Flávio: 46% Lula: 44% |
Mulheres - 1º turno +11 Vantagem de Lula sobre Flávio |
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Avaliação positiva de Lula 32% Mesmo patamar de set./25 |
Rejeição Flávio: 48% Lula: 46% |
As vulnerabilidades de Flávio
A sequência de crises vividas pela campanha de Flávio Bolsonaro nos últimos meses expôs algumas das principais vulnerabilidades que ameaçam o pré-candidato do PL nesta disputa.
- O caso "Dark Horse" e a revelação de um contrato do escritório de advocacia de Flávio com uma empresa que operou com o Banco Master continuam mantendo o senador na defensiva no debate anticorrupção, uma arma que a direita costuma explorar em embates contra o PT.
- A briga com Michelle Bolsonaro, agora num processo inicial de reconciliação, põe em dúvida a capacidade de Flávio ganhar espaço com as mulheres, que custaram a reeleição de seu pai em 2022.
- O alinhamento com os EUA e o discurso de desconfiança sobre as urnas eletrônicas, tradicionais acenos do bolsonarismo à sua base de direita, alavancam o distanciamento de um eleitor mais próximo do centro, que será determinante para o resultado da eleição.
O pêndulo do eleitor de centro
Quando vê Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente, numa simulação de segundo turno, o eleitor que diz estar mais próximo do centro do espectro ideológico passou a preferir o petista nos últimos meses. Desde o escândalo "Dark Horse", o senador do PL perdeu a vantagem numérica que tinha nesse segmento.
Em maio, Flávio tinha 38% das intenções de voto no segundo turno entre eleitores que afirmaram ao Datafolha que não eram nem lulistas nem bolsonaristas, contra 32% de Lula. Desde então, o presidente ganhou fôlego e agora aparece com 40%, contra 31% do filho de Jair Bolsonaro.
Lula beijou o teto?
Apesar de ganhar espaço em segmentos-chave do eleitorado, aproveitando a má fase de seu principal oponente, a candidatura de Lula exibe alguns sinais de fadiga, já esperados por sua campanha.
Três números da pesquisa servem como indicadores:
- A avaliação positiva do governo vem estagnada na casa dos 30% desde o segundo semestre do ano passado, sem impulso para Lula nem mesmo com uma bazuca de propaganda oficial.
- Lula faz um duro duelo com Flávio Bolsonaro quando o assunto é rejeição: 46% dizem não votar no petista de jeito nenhum, enquanto 48% afirmam o mesmo sobre o senador do PL. Esses números podem levar a uma disputa no segundo turno mais apertada do que mostram os números hoje.
- As intenções de voto em Lula estão no mesmo patamar há meses. Flávio perdeu temperatura, mas o petista não tirou proveito dos infortúnios do rival.
O início oficial da disputa, com palanques montados e propaganda na TV, dirá se o petista está próximo de um teto que limita seu crescimento.
O voto nem-nem
O eleitor que não escolhe Lula nem Flávio no primeiro turno se divide em partes praticamente iguais na passagem para o segundo turno. Pouco menos de um terço vai para o petista, uma fatia um pouco maior prefere o filho de Jair Bolsonaro e um terceiro grupo vota em branco ou nulo. Como a margem de erro desse recorte é de quatro pontos percentuais, os dois candidatos empatam na partilha dos votos.
Esses eleitores rejeitam mais Lula do que Flávio. São entrevistados que têm uma avaliação do governo petista mais negativa do que a média: 13% consideram a gestão ótima ou boa, 39% dizem que é regular e 45% classificam como ruim ou péssima.