Crise na Volkswagen vai ter impacto na economia portuguesa

A crise da Volkswagen já ameaça a indústria nacional de componentes, que antecipa mais um ano de quebra e despedimentos.

O Grupo Volkswagen está a passar por um período difícil. Na semana passada anunciou a intenção de cortar a sua capacidade de produção para nove milhões de veículos e fechar quatro fábricas, ao mesmo tempo que vai reduzir para metade a oferta de modelos.

Nestes planos, não estão previstos cortes nem medidas excepcionais para a Autoeuropa, a fábrica portuguesa do grupo alemão. Mas a indústria portuguesa, que tem um papel muito importante na produção de componentes para automóveis, não passará ao lado das ondas de choque provocadas pela crise na Volkswagen.

A previsão é de José Couto, presidente da Associação Portuguesa de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), em declarações ao ECO: “É uma situação que vai ter impacto em Portugal. Há alguns temores de que sejamos afetados, mas ainda não sabemos qual será a dimensão”. “As empresas têm de estar prontas para reduzir a sua atividade, adequar o chão de fábrica às projeções para a Europa e diminuir o número de trabalhadores”, concluiu.

Volkswagen fábrica Dresden - linha de produção
© Volkswagen A produção de componentes para a indústria automóvel gera, em Portugal, mais de 11 mil milhões de euros. O equivalente a cerca de 3,8% do PIB português.

De acordo com o último comunicado da associação, a exportação de componentes automóveis tem vindo a cair: 3,2% face a março do ano passado e 6,9% nos primeiros três meses deste ano. “Uma baixa significativa, abaixo das piores projeções” refere a AFIA.

Uma tendência que se deverá agravar ainda mais: “Os nossos piores cenários para 2026 apontavam para uma quebra de 5 a 6%, mas ainda não percebemos se a queda se deve à retração do consumo na Europa ou a um reajustamento da atividade”, explicou.

Atualmente, as exportações representam 85% das vendas totais do setor, tendo já recuado em 2025 para valores abaixo dos 12 mil milhões de euros. Espanha continua a ser o principal destino dos componentes fabricados em Portugal, com uma quota de 28,1%, seguida da Alemanha, com 22,5%. Com as alterações agora anunciadas pela Volkswagen, é nesta segunda frente — a alemã — que se espera um agravamento ainda maior das exportações nacionais.

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O futuro da Autoeuropa

A Volkswagen tem uma das suas fábricas mais importante em Portugal, a Autoeuropa. Responsável pela maior fatia da produção automóvel em território nacional e por colocar Portugal à frente de países como Itália na produção automóvel.

Apesar de a Volkswagen estar a preparar uma redução significativa da produção a nível global, Rogério Nogueira, da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, garante que não há “nenhum indicador que nos diga que essa redução vai ser replicada na Autoeuropa ou fora da Alemanha.”

Já quanto ao futuro modelo elétrico que deverá ser produzido nas instalações de Palmela, o ID.1, o responsável sindical assegura que, “até ver”, não há motivo para receios. Nos primeiros cinco meses do ano, segundo números da ACAP, a Autoeuropa produziu 105 850 automóveis, um crescimento de 4,8% face ao mesmo período do ano passado. Destes, 98,8% destinam-se à exportação.

mariana teles