Confiança dos investidores na economia alemã dispara em julho e supera previsões dos analistas

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  • O indicador ZEW registou uma melhoria significativa em julho, com um aumento para 26,3 pontos, superando as expectativas dos analistas em 72%.
  • O presidente do ZEW, Achim Wambach, atribui este otimismo às reformas em curso na Alemanha, destacando a recuperação dos setores exportadores e da procura interna.
  • Apesar do sentimento positivo, a economia alemã enfrenta riscos externos, como a incerteza no Irão e os preços do petróleo, que podem afetar a recuperação.

O indicador ZEW voltou a surpreender pela positiva em julho, com os investidores institucionais e analistas a mostrarem-se bastante mais confiantes quanto ao rumo da economia alemã nos próximos seis meses. O índice de sentimento económico fixou-se em 26,3 pontos, 72% acima dos 15,3 pontos previstos pelos analistas e a uma distância considerável dos 10,5 pontos registados no mês anterior.

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Este indicador, elaborado mensalmente pelo Centro de Investigação Económica Europeia (ZEW), resulta de um inquérito a cerca de 350 analistas financeiros e serve como termómetro antecipado do estado de saúde da maior economia da Zona Euro, distinguindo-se de outros barómetros por captar não a situação presente, mas as expectativas para o futuro próximo.

O presidente do ZEW, Achim Wambach, atribui esta melhoria ao efeito das reformas em curso na Alemanha, sublinhando que “as perspetivas económicas continuam a melhorar em julho”, notando que “parece que as reformas estão a surtir efeito”.

Os agentes económicos acreditam que o pior já passou, mas reconhecem que a recuperação efetiva ainda está por concretizar.

Segundo Achim Wambach, são sobretudo os setores exportadores e a procura interna que sustentam este otimismo renovado, ainda que persista um fator de risco relevante.

“A incerteza associada à evolução do conflito no Irão e ao preço do petróleo continua a ser um fator crucial que afeta as perspetivas de recuperação da economia alemã”, refere o presidente do ZEW. Significa que, apesar do sentimento mais favorável, a economia alemã continua exposta a choques externos que podem inverter rapidamente esta trajetória.

Ao nível setorial, o panorama é heterogéneo.

  • A engenharia mecânica e a procura doméstica lideram as melhorias, com subidas de 14,5 e 14,7 pontos, respetivamente, enquanto a construção civil regista um avanço de 12,7 pontos, aproximando-se finalmente da linha de equilíbrio (zero).
  • Já as indústrias química, farmacêutica e metalúrgica mostram sinais de recuperação, embora permaneçam claramente em território negativo.
  • O setor automóvel destoa completamente desta tendência positiva, ao apresentar uma queda para -46,6 pontos, uma quebra de 11,3 pontos face ao mês anterior, refletindo as dificuldades estruturais que atravessa a indústria automóvel alemã, entre pressões concorrenciais chinesas e custos energéticos elevados.

Quanto ao indicador que mede a situação económica atual e não as expectativas futuras, este também melhorou, embora de forma mais contida, fixando-se em -77,6 pontos, uma subida de 3,4 pontos em relação a junho.

Atualmente, o principal índice acionista alemão (DAX) encontra-se a negociar com uma subida de 0,36%, depois de ao início da manhã, até à divulgação do indicador ZEW, ter estado em queda.

O contraste entre uma perceção do presente ainda muito negativa e umas expectativas claramente otimistas revela que os agentes económicos acreditam que o pior já passou, mas reconhecem que a recuperação efetiva ainda está por concretizar. Mas o otimismo não se limita à Alemanha.

Para a Zona Euro como um todo, o indicador de expectativas subiu 13,9 pontos, alcançando os 23,4 pontos, enquanto a avaliação da situação atual, apesar de continuar negativa, melhorou 5,7 pontos para -37,7 pontos.

Estes números sugerem que a confiança dos mercados na recuperação europeia começa a alargar-se além das fronteiras alemãs, num movimento que, se confirmado nos próximos meses, poderá traduzir-se em dados mais robustos de crescimento e investimento para toda a região.

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