Mas, ainda que o dinheiro novo seja posto como vital para a saúde financeira do Sport no restante do ano, os números mostram como Zé Lucas sofreu "deflação": sob o comando do então presidente Yuri Romão, o clube achava possível vender seu ativo por 15 milhões de euros (quase R$ 100 milhões na época).
Zé Lucas, prata da casa do Sport — Foto: Paulo Paiva/Sport Club do Recife
A linha do tempo
- O Sport recebeu proposta de 12,5 milhões de euros (R$ 80 milhões à época) enviada por um clube da Premier League e recusou. Era abril de 2025;
- Em maio, o Flamengo propôs 8 milhões de euros (cerca de R$ 46 milhões) por 80% dos direitos de Zé Lucas. O Sport disse que não faria negócio por esse valor;
- Direção do clube foi à Espanha ouvir o Barcelona, interessado em Zé, e depois a Sevilha, para ouvir o Real Betis, em junho;
- Dos dois clubes, foi o Betis quem sinalizou ao Sport que pagaria 8 milhões (cerca de R$ 46 milhões) de euros por 70% dos direitos do garoto, de acordo com apuração da reportagem;
- O Villareal seguiu as cifras do concorrente. Porém, o Rubro-negro acenou negativamente a ambas as sinalizações apalavradas, justamente por entender que Zé Lucas valia mais.
A partir do segundo semestre de 2025, o estafe do volante foi a Doha, no Catar, conversar com representantes do Bayern de Munique durante a participação do Mundial sub-17, campeonato que Zé Lucas estava disputando.

Sport aguarda proposta de clube da Alemanha para negociar Zé Lucas
O Shaktar Donetsk, da Ucrânia, chegou a estar na linha de frente pela aquisição do volante.
Em novembro do ano passado, o Sport, na figura do então diretor geral Enrico Ambrogini, recebeu uma proposta do clube ucraniano de 11 milhões de euros (cerca de R$ 63 milhões) por 85% dos direitos do jogador.
Ali, já enfrentando problemas financeiros, o clube decidiu reduzir a pedida mínima de 12,5 milhões de euros (R$ 72 milhões) e passou a cogitou vender o atleta. A negociação não foi para frente porque o estafe do jogador declinou enviar o atleta para a Ucrânia.
Sem a proximidade com a janela de transferências europeias e desfecho que agradasse ao Sport, Zé Lucas começou o ano na Ilha do Retiro. O projeto de carreira do jogador, do clube e de seus representantes continuava priorizando o mercado internacional.
Zé Lucas, volante do Sport, em jogo contra o CRB, na Ilha do Retiro — Foto: Rafael Vieira/AGIF
O entorno do jogador temia uma desvalorização considerável em função do rebaixamento e passou a olhar uma transferência para a Série A como um projeto desportivo interessante a médio/longo prazos. Caso o volante fosse bem na elite nacional, seria valorizado em uma eventual venda futura.
Um valor inicial pensado entre 7 a 14 milhões de euros (entre R$ 40 mi e R$ 81 mi) seria aceito.
Matheus Souto Maior, presidente do Sport, e Pedro Lourenço, presidente do Cruzeiro — Foto: Divulgação/Cruzeiro
O Botafogo trouxe uma oferta. Mas em molde diferente: pagaria pelo empréstimo oneroso de Zé Lucas, com opção de compra ao final do vínculo, que se encerrava em dezembro de 2026. A recém-empossada diretoria de futebol leonina recusou.
Àquela altura, em fevereiro, Zé Lucas ainda não havia disputado uma partida pelo Sport. Ele cumpriu protocolo de recuperação de lesão e só viria a estrear na equipe principal nas partidas finais do Campeonato Pernambucano - que terminou em tetracampeonato para o Sport, conquistado em março.

Zé Lucas volta a ser utilizado pelo Sport em final do Pernambucano
Fla e Cruzeiro retomam contatos
O volante retomou espaço no time leonino como titular da Série B, assegurando posição na cabeça de área. Disputou 14 jogos na competição, até ser tirado dos jogos para ser preservado por causa das negociações em curso. No interno da gestão, a venda de Zé Lucas no meio do ano era iminente.
À medida que a janela nacional foi aberta, em 20 de julho, o negócio pelo prata da casa esquentou: Flamengo e Cruzeiro, que monitoravam de perto o jogador, formalizaram propostas.
O Fla, para Zé Lucas integrar o sub-20. O clube carioca se dispôs a pagar 1 milhão de dólares (R$ 5 milhões) por 10% dos direitos da joia do Sport. Antes, havia sinalizado uma oferta de 2,5 milhões de euros (R$ 14 milhões) pelo jogador. Estafe e clube pernambucano negaram.
Diagnóstico apresentado pelo Sport ao Conselho do clube sobre finanças — Foto: Arquivo Pessoal
O Cruzeiro, desde o princípio, caiu no gosto do entorno do atleta por duas razões: plano para ser contratado para o profissional celeste e números maiores: 4 milhões de dólares (R$ 20 milhões).
É um valor, portanto, mais do que três vezes menor do que o que o clube esperava receber ainda na época do presidente Yuri Romão (R$ 80 milhões), e R$ 15 milhões inferior à expectativa atual.
O ge trouxe há poucos dias que o Conselho Deliberativo rubro-negro recebeu um relatório do executivo detalhando que o Sport esperava ganhar no mínimo R$ 40 milhões com a transferência de Zé Lucas - a projeção total para vendas de atletas era de R$ 50,7 milhões.
O volante viajou na madrugada deste sábado rumo a Belo Horizonte, onde vai realizar exames médicos. Depois, o garoto volta ao Recife para resolver últimas pendências e seguir de vez com a família para a capital mineira.
O contrato de Zé Lucas com o Cruzeiro será de cinco anos e salário quatro vezes maior do que os quase R$ 60 mil por mês que recebia na Ilha do Retiro. Com a camisa do Sport o jovem atleta disputou 57 jogos.