Colonos israelitas atacaram jornalistas da CNN no aniversário de um espancamento mortal na Cisjordânia

Saif Musallet foi espancado até à morte por colonos judeus em julho passado. A CNN levou o pai do homem ao local e acabou surpreendida por facas e barras de metal

Quatro colonos foram detidos após um ataque contra a CNN e outros jornalistas na Cisjordânia ocupada, no sábado, segundo a polícia israelita.

Os jornalistas estavam perto da aldeia de Sinjil, a norte de Ramallah, para cobrir o aniversário de um ano do assassínio de Saif Musallet, um palestiniano-americano que foi espancado até à morte por colonos judeus em julho passado.

Poucos minutos depois de chegarem ao local onde Musallet foi morto, os colonos israelitas invadiram a zona. Enquanto a equipa da CNN e outros jornalistas tentavam sair, um grupo de quatro colonos bloqueou a estrada com o seu carro e tentou impedir que os veículos avançassem.

Os quatro colonos estavam armados com pedaços de madeira, barras de metal e pedras. Um deles brandiu uma faca e tentou furar os pneus do veículo da CNN.

Poucos minutos após a chegada dos jornalistas, os colonos reuniram-se perto da aldeia de Sinjil, a norte de Ramallah (CNN)
Poucos minutos após a chegada dos jornalistas, os colonos reuniram-se perto da aldeia de Sinjil, a norte de Ramallah (CNN)
Um colono aproxima-se dos veículos dos jornalistas perto da aldeia de Sinjil, a norte de Ramallah (CNN)
Um colono aproxima-se dos veículos dos jornalistas perto da aldeia de Sinjil, a norte de Ramallah (CNN)

Os colonos começaram então a saltar sobre o veículo que vinha atrás do da CNN - que transportava outro grupo de jornalistas - e partiram o para-brisas. Outro grupo de colonos tentou bloquear uma rota de fuga diferente antes de perseguir os jornalistas em direção à cidade de Sinjil.

Quando os agentes e soldados israelitas chegaram ao local, a polícia informou ter detido quatro suspeitos antes de localizar o veículo nas proximidades. Apreenderam bastões e uma faca dentro do veículo, segundo a polícia.

“A Polícia de Israel e as Forças de Defesa de Israel consideram qualquer manifestação de violência ou danos materiais muito grave, especialmente quando envolve profissionais dos meios de comunicação social no exercício das suas funções”, afirmou a polícia em comunicado.

Após o assassinato de Musallet, em julho de 2025, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, classificou o crime como um “ato criminoso e terrorista”, instando as autoridades a investigar o sucedido. Mas o pai de Musallet disse à CNN que ninguém foi detido desde o homicídio.

Este ataque contra jornalistas ocorre poucos dias depois de o deputado norte-americano Ro Khanna ter sido detido por colonos a sul de Hebron, na Cisjordânia. Khanna estava de visita à região no âmbito de uma viagem de três dias, na qual visitou também a aldeia de Turmus Ayya, no norte da Cisjordânia, onde vivem milhares de palestiniano-americanos que têm sido alvo de repetidos ataques por parte dos colonos da zona.

Khanna visitou Turmus Ayya para demonstrar solidariedade para com os cidadãos norte-americanos que disseram à CNN sentirem-se esquecidos pelo seu governo.

“Vi a arrogância nos olhos daqueles colonos, jovens de 21 e 22 anos armados, a rir por nos terem detido, a arrogância daqueles jovens soldados das Forças de Defesa de Israel, que são financiados pelos meus impostos, sem qualquer respeito pelo facto de estarem a deter americanos, sem qualquer respeito pelo facto de haver um congressista americano naquele autocarro, e a rir quando o nosso tradutor lhes disse que havia americanos ali e que a embaixada americana estava preocupada”, disse Khanna à Reuters.

Numa entrevista à CNN com Dana Bash, na terça-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que a questão da violência dos colonos "tomou proporções inacreditáveis". Descreveu os perpetradores como um grupo de 150 "delinquentes juvenis". Disse ainda que a polícia e os militares "tomam medidas", mas que os tribunais em Israel "são muito lenientes" para com os condenados por violência dos colonos.

Apesar das declarações de Netanyahu, a Cisjordânia tem assistido a um aumento da violência dos colonos – em alguns casos com soldados israelitas a permanecerem inertes – em paralelo com a rápida expansão dos colonatos israelitas por todo o território.