Nutricionista da seleção espanhola: "Comer um hambúrguer não importa, acho até que é necessário"

Além dos treinadores, preparadores físicos, médicos, massagistas e roupeiros, na comitiva das seleções nacionais de futebol hoje em dia viaja também um nutricionista. A alimentação é um aspeto crucial no desempenho e na recuperação dos atletas de alta competição, ainda para mais numa competição como um Mundial. Toscana Vilar é a nutricionista da seleção espanhola que conquistou título no último domingo, nos Estados Unidos, e, numa entrevista ao jornal ABC, a especialista contou alguns pormenores da alimentação dos campeões.  

Espanha conquistou o título mundial

Espanha conquistou o título mundial AP

"A nutrição é um pilar fundamental, não só no desempenho, mas também para a saúde em geral, tanto no desporto de elite como no amador. É mais um aspeto do extenso trabalho interno que é feito para garantir que os jogadores tenham um bom desempenho durante um Campeonato do Mundo, que se recuperem adequadamente, que consigam dar o seu melhor e que cheguem ao momento certo no auge da forma", começa por explicar a nutricionista.

Este trabalho não é realizado apenas durante a competição, na realidade começa meses antes, com a preparação dos planos alimentares e da suplementação. "Trabalhamos com os jogadores e os seus clubes com bastante antecedência. Entro em contacto com eles antes de chegarem para saber como estão, o que estão a fazer e do que precisarão. Temos também de falar com os hotéis, com as pessoas que planeiam as nossas viagens e os cardápios, para perceber o que estará disponível e o que não estará..." 

Não há uma refeição criada para cada atleta, mas há sempre "muita variedade" sobre a mesa. "Não existe um 'cardápio de campeão mundial'. O que temos é uma estratégia personalizada para cada jogador, para cada sessão de treino, cada viagem e cada partida."

E que comeram os campeões, por exemplo, ao pequeno-almoço? "Havia muita variedade porque tínhamos opções de pequeno-almoço e almoço. Alguns querem massa, arroz e frango, mesmo às 8 da manhã, enquanto outros não conseguem comer nada deste género assim que acordam. Tentei incluir bastantes líquidos para quem não estava com fome. E há uma coisa que faço sempre, uma espécie de bolinho de arroz, parecido com uma tarte, que eles adoram e que foi uma ótima opção para as manhãs, porque eles gostavam e era perfeita para incluir hidratos de carbono."

Para beber, Toscana Vilar criou um mojito sem álcool que também fez sucesso. "Tento encontrar as opções mais naturais e adicionar um pouco de sabor, para as tornar mais atraentes. A bebida favorita deles é um mojito que preparo para os hidratar. Sem álcool, claro. É uma bebida feita com limão, hortelã e outros ingredientes. Tem gosto de mojito e é por isso que gostam tanto."

E, na terra do fast-food, foram permitidos hambúrgueres? "O meu papel não é fazê-los comer perfeitamente, mas sim fazê-los ter um desempenho perfeito. E para ter um desempenho perfeito não é preciso comer perfeitamente. O sucesso está no equilíbrio, se esperas que alguém faça tudo perfeitamente em todas as refeições, o fracasso é garantido. As pessoas perguntam-me se eu sofro quando eles têm uma refeição livre, mas não, de forma alguma, porque fazemos 95% das refeições juntos e eu tenho-os sob controlo. Poder sair para comer um hambúrguer ou um gelado não só acho que não importa, como penso que é necessário."

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