Governo justifica revisão do regime de gratuitidade nos museus com exigências da Comissão Europeia

Política

Margarida Balseiro Lopes admitiu rever o sistema de gratuitidades que atualmente existe nos museus, "até porque é preciso que as pessoas valorizem a cultura".

13 de julho de 2026 às 16:50

A ministra da Cultura justificou esta segunda-feira que será necessário rever o regime de gratuitidade dos museus "na sequência de uma troca de correspondência com a Comissão Europeia", que levantou um processo de infração a Portugal por discriminação.

"Assumi que vamos ter de revisitar o tema das gratuitidades, porque temos uma troca de correspondência com a Comissão Europeia, que começou muito antes de ser ministra, sobre uma das medidas e sobre eventual discriminação de cidadãos de um determinado Estado [em relação a outro]", disse a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, aos jornalistas, em Lisboa, à margem de uma sessão pública de debate sobre a revisão do Estatuto dos Profissionais da Área da Cultura (EPAC).

A ministra reforçou: "Na sequência de troca de correspondência, vamos ter sempre de revisitar o tema das gratuitidades".

Margarida Balseiro Lopes admitiu, numa entrevista publicada esta segunda-feira pelo jornal online Eco, rever o sistema de gratuitidades que atualmente existe nos museus, "até porque é preciso que as pessoas valorizem a cultura".

A entrada gratuita em museus, monumentos e palácios tutelados pelo Estado português passou a ser possível durante 52 dias por ano para portugueses e residentes em Portugal, em qualquer dia da semana, a partir de agosto de 2024. Até então, e desde setembro de 2023, a gratuitidade era restringida aos domingos e feriados.

Esta segunda-feira, à margem da sessão pública, a ministra disse também que a possível revisão deste regime "tem a ver com a sustentabilidade do financiamento dos museus".

"Temos a Museus e Monumentos de Portugal [MMP] a procurar garantir a sustentabilidade dos equipamentos, garantindo que têm lojas associadas para que consigamos diversificar as fontes de financiamento. A estimativa é que este ano possamos crescer quase 30% este tipo de receitas, a que se junta a utilização de salas de muitos destes equipamentos", afirmou.

A Comissão Europeia exigiu em dezembro de 2024 que Portugal retire as "regras discriminatórias" que permitem aos residentes no país, e não a visitantes de outros países da União Europeia, a entrada gratuita em museus, monumentos e palácios 52 dias por ano, dando início a um processo de infração.

Para a Comissão Europeia, "estas regras discriminam os visitantes que residem noutros Estados-membros" e vão contra uma diretiva relativa aos serviços no mercado interno.

Bruxelas justifica ainda o processo de infração contra Portugal por incumprimento "do artigo 56.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia [UE], que garante que os destinatários de serviços podem aceder a esses serviços noutros Estados-membros nas mesmas condições que os nacionais".

"O Tribunal de Justiça da União Europeia estabeleceu, já em 1994, que a visita a museus noutro Estado-membro é abrangida pelas regras da UE em matéria de livre circulação de serviços. O Tribunal sublinhou igualmente o direito dos turistas de outros Estados-membros, enquanto destinatários de serviços, de usufruírem desses serviços de museus nas mesmas condições que os nacionais", argumentou na altura a instituição.

O Ministério da Cultura, então tutelado por Dalila Rodrigues, disse à agência Lusa, que iria manter o modelo de entradas gratuitas em museus, monumentos e palácios, e que responderia "dentro dos prazos" ao processo levantado por Bruxelas.

De acordo com a MMP, em 2025, a medida "Acesso 52" representou um total de 892.637 visitas gratuitas de residentes em território nacional aos museus e monumentos nacionais tutelados pela entidade pública empresarial, representando 18% do total de 4.843.299 ingressos.

Instituída em 1 de agosto de 2024, a "Acesso 52" registou nesse ano 450.275 visitantes nos 38 equipamentos culturais tutelados pela MMP.

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