A Câmara de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, manifestou a sua oposição ao Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER) devido aos impactos ambientais permanentes e irreversíveis.
Em comunicado, o município de Idanha-a-Nova diz que formalizou a submissão de um parecer desfavorável na plataforma oficial do PSZAER, manifestando a sua oposição “a alterações na transição energética que provoquem impactos ambientais permanentes e irreversíveis”.
A discussão pública do PSZAER está em curso até ao dia 15 no Portal Participa e constitui uma etapa fundamental para a participação de cidadãos, municípios, entidades ambientais, promotores, associações e restantes interessados no processo de definição das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER) em Portugal continental.
Uma avaliação técnica à proposta de zonas de aceleração de renováveis identifica cerca de 7% do território continental com potencial para acelerar projetos solares e eólicos, mas alerta que a concretização depende de rede, licenciamento, mercado e aceitação pública.
A conclusão consta da Avaliação Ambiental Estratégica e proposta de Programa Setorial das ZAER, um trabalho técnico colocado em consulta pública sobre a delimitação final das áreas.
“A preservação da paisagem assume uma importância crucial para o concelho de Idanha-a-Nova, pelo que o município contesta a degradação visual e a descaracterização morfológica decorrentes da instalação de megacentrais”, vincou.
Segundo a autarquia, estas infraestruturas preveem um impacto cumulativo de 5.351 hectares, o que corresponde a cerca de 4% da área total do concelho, o que colide com o bem-estar das populações locais.
Contudo, reafirma a defesa da transição para fontes de energia limpa com base em modelos descentralizados de produção, no aproveitamento de zonas artificializadas, no incentivo ao autoconsumo e em comunidades energéticas de pequena escala.
“Estas opções asseguram que o conflito com a natureza e com as pessoas seja menor”.
O município de Idanha-a-Nova reafirma a sua oposição “à implementação de projetos de escala massiva que descaracterizem o património natural e comprometam o progresso local”.
A presidente da Câmara Municipal, Elza Gonçalves, assume o propósito de “defender com intransigência a qualidade de vida dos idanhenses e das gerações futuras” e recusa a premissa de que as metas de descarbonização nacional legitimem o sacrifício dos recursos endógenos do poder local.