Bloqueio naval dos EUA ao Irã começa nesta terça | G1

A medida entrará em vigor um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz.

Em uma publicação na rede Truth Social, Trump disse que os EUA serão os "guardiões" da via marítima e que cobrarão 20% sobre toda carga transportada pelo estreito.

  • Durante a guerra, navios militares dos EUA fizeram um bloqueio naval na entrada do Estreito de Ormuz contra embarcações iranianas.
  • O objetivo era parar navios que transportassem produtos iranianos ou tivessem origem ou destino em portos do país visando estrangular a economia local.
  • A medida foi uma retaliação ao fechamento da passagem pelo Irã, que controla a região.

Desta vez, segundo a Marinha americana, o bloqueio será estendido a toda a costa iraniana para reprimir o tráfego de embarcações que saírem de qualquer porto ou terminal petrolífero do país.

A Marinha informou que o "trânsito neutro" continuará liberado, assim como embarcações com ajuda humanitária. Todos os navios, porém, serão submetidos a inspeções militares.

👉 O fim do bloqueio naval na entrada do Estreito de Ormuz era um dos pontos do acordo de paz assinado entre Estados Unidos e Irã em junho.

Trump diz que tomará o controle de Ormuz

Donald Trump — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

Na segunda-feira (13), Trump afirmou que vai "tomar o controle do Estreito de Ormuz". Em entrevista à emissora americana Fox News, ele disse que os Estados Unidos serão "os guardiões do estreito" e que o país deve ser "reembolsado" por garantir a segurança da região.

"Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados ​​por isso", disse.

Pouco depois da entrevista, ele publicou na Truth Social que pretende cobrar 20% sobre toda carga transportada pela rota.

"O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos", escreveu.

"Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz', mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo", completou.

💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela região.

  • O memorando de paz assinado por Estados Unidos e Irã — agora deixado de lado — previa a reabertura da via marítima sem cobrança durante 60 dias.
  • Nesse período, Irã, Omã e países do Golfo negociariam um modelo para a administração futura da passagem.

Irã rebate Trump

A declaração do presidente americano foi rebatida pelo comando militar do Irã, que afirmou que "não permitirá que os EUA intervenham na administração" do Estreito de Ormuz.

"Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada", afirma um comunicado.

O texto também faz um alerta aos países vizinhos: "Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã".

A Guarda Revolucionária iraniana também afirmou que mantém sua "autoridade e controle sobre o Estreito de Ormuz".

"Ao interferir no Estreito de Ormuz, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás", disse o porta-voz.

Irã diz que estreito está fechado, EUA negam

Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã — Foto: REUTERS / Stringer

"Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida."

O grupo acrescentou:

"O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar."

Entenda a sequência de ataques

Quando aconteceu Como aconteceu Os detalhes
Início da escalada (domingo, 12) Irã ataca navio de contêineres no Estreito de Ormuz Uma embarcação com bandeira do Chipre foi atingida por uma ofensiva iraniana, sofreu danos significativos na casa de máquinas, ficou em chamas e um tripulante indiano desapareceu. Outros 23 integrantes da tripulação foram resgatados.
Após o ataque ao navio Estados Unidos realizam os primeiros ataques contra o Irã As forças americanas atingiram cerca de 140 alvos, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munição, equipamentos de comunicação e outras instalações militares.
Em resposta à ofensiva americana Irã lança ataques contra países da região Teerã realizou ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã, países que abrigam bases ou instalações militares dos Estados Unidos e têm importância estratégica no Golfo.
Durante a retaliação iraniana Países do Golfo acionam alertas e interceptam ataques O Catar informou ter interceptado ataques iranianos; três pessoas ficaram feridas por estilhaços. O Kuwait relatou danos em postos de fronteira e em uma plataforma de exploração marítima. A Jordânia informou que três mísseis iranianos atingiram áreas do país, causando danos leves.
Mais tarde no domingo Estados Unidos realizam novos ataques contra o Irã Uma nova rodada de ataques americanos atingiu sistemas de mísseis, defesas aéreas e embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo uma autoridade dos EUA. Explosões foram registradas em Bandar Abbas e Hajiabad, além de ataques relatados na Ilha de Qeshm.
Após os novos ataques Irã ameaça ampliar resposta e afirma ter fechado o Estreito de Ormuz O governo iraniano declarou que a passagem permaneceria fechada até a redução das tensões e ameaçou atacar “bases inimigas adicionais” na região. Os EUA afirmaram que o estreito continuava aberto.

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