Bitcoin a US$ 1 milhão se bancos alocarem 1%, projeta criador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina

O empresário e pesquisador brasileiro João Paulo Mayall, cofundador da QR Capital e responsável pelo lançamento do QBTC11, primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, publicou nesta semana um modelo próprio para responder a uma das perguntas mais especuladas do mercado: o que acontece com o preço do Bitcoin se os bancos forem autorizados a comprar.

Batizado de MBFM (Mayall Bank Flow Multiplier), o modelo parte de três números. Os bancos globais carregam cerca de US$ 190 trilhões em ativos, segundo o Financial Stability Board. O Bitcoin inteiro vale hoje aproximadamente US$ 1,27 trilhão. E, segundo Mayall, a trava entre um número e outro está sendo destravada em sequência.

“O maior fluxo da história do Bitcoin depende de 3 destravamentos em sequência, e 2 já estão em andamento”, escreveu o analista no X.

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O primeiro é o CLARITY Act, que já passou na Câmara dos Estados Unidos e no comitê bancário do Senado, restando apenas a votação em plenário. A lei classifica o Bitcoin como commodity digital e entrega a segurança jurídica que os bancos americanos exigem para operar o ativo.

O segundo é Basileia. O padrão do Comitê, em vigor desde janeiro de 2026, atribui risk weight de 1.250% ao Bitcoin, o que obriga o banco a reservar um dólar de capital para cada dólar de exposição. “Isso é basicamente uma proibição na prática”, resume Mayall. O Comitê de Basileia, porém, já iniciou uma revisão direcionada do padrão, com atualização prevista ainda para este ano.

Destravadas as duas pontas, entra o terceiro elemento, que, segundo o analista, o mercado ignora: fluxo não move preço na proporção de um para um.

A literatura financeira estima que cada dólar líquido que entra no Bitcoin amplia o market cap em múltiplos, com estimativas que vão de 2x a 25x nos estudos de Chris Burniske, chegando a 118x em relatório do Bank of America de 2021, já que a oferta é fixa e a maior parte das moedas nunca vai a mercado.

O MBFM usa deliberadamente o piso conservador dessa literatura, com multiplicadores de 2x, 5x e 10x. Os resultados: com alocação de 0,5% dos ativos bancários globais, o Bitcoin iria de US$ 158 mil a US$ 537 mil. Com 1%, o cenário intermediário aponta US$ 537 mil e o superior rompe US$ 1 milhão. Com 2%, o modelo chega perto de US$ 2 milhões por unidade.

Bitcoin pode chegar a US$ 1 milhão caso bancos aloquem 1% na criptomoeda. Fonte: JP Mayall/X.

Mayall reconhece os limites do exercício. Mesmo com o risk weight normalizado, o Comitê de Basileia discute um teto de exposição direta a criptoativos na faixa de 1% a 2% do capital Tier 1 dos bancos, e o modelo assume oferta estática, sem efeitos de reflexividade ou derivativos. A tese, porém, é que o canal bancário destrava fluxo muito além da posição proprietária, incluindo custódia, tesouraria, colateral e produtos para clientes.

O modelo é parte do trabalho de pesquisa que Mayall conduz no Mayall Private Research, círculo restrito de conteúdo educacional e analítico sobre a tese do Bitcoin e seus desdobramentos, das ações preferenciais da Strategy a mineradoras e exchanges listadas, passando pela agenda macro e pelas frentes regulatórias que definem o fluxo institucional, do CLARITY Act e Basileia à regulamentação das VASPs pelo Banco Central e o marco legal cripto no Brasil.

Autor de quatro estudos publicados na SSRN, cobrindo a validação do Bitcoin pela teoria monetária austríaca, os efeitos da expansão monetária sobre a inflação, o paradoxo das reservas de ouro dos bancos centrais e um novo filtro estatístico para agregados monetários, Mayall resume a tese na frase que encerrou o post: “O maior comprador da história ainda não recebeu permissão pra comprar.”

O maior fluxo da história do Bitcoin depende de 3 destravamentos em sequência, e 2 já estão em andamento:

1. CLARITY Act: aprovado na Câmara e no comitê do Senado, falta só o plenário. Classifica Bitcoin como commodity digital e dá a segurança jurídica que banco americano exige;… pic.twitter.com/Dnifv2BpQy

— J. P. Mayall (@jpmayall) July 17, 2026

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Henrique HK

Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x

Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.