Pedro, Maria, Lígia e Lara - um grupo de quatro estudantes portugueses, com idades entre os 15 e os 16 anos - criaram uma caneta inteligente capaz de detetar anemia. O projeto valeu-lhes o prémio Gen-E Portugal 2026, organizado pela Junior Achievement Portugal, e a possibilidade de representar o país na edição internacional do concurso em Riga, na Letónia.
A caneta, chamada "BeRed", é um "dispositivo 3 em 1". Segundo explicou Pedro Santos, um dos jovens envolvido no projeto, ao Notícias ao Minuto, "numa ponta é uma caneta e na outra ponta é um lápis infinito com uma tampinha que é um ponteiro touch".
Os alunos do 10.º ano de Economia da Escola Secundária Stuart Carvalhais, em Sintra, já conseguiram, "com a ajuda da Universidade Católica, do Instituto Superior Técnico e de outras entidades", "chegar a um protótipo que funciona com sensores biomédicos" que "conseguem identificar os valores de hemoglobina".
"Há um procedimento que analisa se os valores estão ou não estão bons. Se os valores não estiverem corretos, é então emitida uma vibração para alertar o utilizador da necessidade urgente de uma consulta", explicaram.
A iniciativa partiu de Pedro Santos que, ainda antes de ingressar no Ensino Secundário, tinha o objetivo de "arranjar um grupo" para participar no Gen-E Portugal 2026, da Junior Achievement Portugal - uma organização sem fins lucrativos dedicada à educação de crianças e jovens para o empreendedorismo, literacia financeira e preparação para o mundo do trabalho.
Logo no primeiro dia de aulas, o jovem decidiu "encontrar três pessoas" para embarcarem na aventura consigo e, no dia seguinte, falou com Maria. Apesar de uma reticência inicial, a estudante acabou por aceitar e os dois convenceram, depois, Lara e Lígia, criando a "equipa perfeita".
Seguiu-se uma discussão sobre o que seria o projeto, mas já sabiam que queriam "um produto que ainda não existisse no mercado" e que os "diferenciasse" em relação aos restantes participantes. Foi durante uma conversa que perceberam que havia algo em comum no grupo: Maria já tinha tido anemia, tal como a mãe de Lígia durante a gravidez.
"Foi algo que nos motivou a avançar", destacou Lara.
O objetivo passou, depois, por criar algo que não fosse invasivo e que fosse de fácil utilização no dia a dia. "Todos os produtos que existem são produtos em que é preciso a pessoa dizer: 'Ok, vou ver, então, se os meus níveis de hemoglobina estão bons'", explicou Pedro.
O grupo tem como público-alvo grávidas, vegetarianos, idosos e mulheres em idade fértil, os grupos mais suscetíveis a terem anemia. Mas, alertam, o risco é "para todas as pessoas em geral".
Os principais desafios da "BeRed" estão relacionados com a "parte técnica", uma vez que, "num país pouco tecnológico, às vezes até para encontrar alguém que faça a coisa mais simples já é difícil", explicaram. Além disso, falta também investimento.
"Os nossos bolsos de jovens de 16 anos não nos permitem fazer uma coisa gigante, mas estamos a tentar perceber quem nos pode ajudar a ter apoio financeiro. A nossa escola também nos tem dado um grande apoio em tudo o que precisamos", destacou Pedro Santos.
"O próximo passo é tentar arranjar alguém que nos dê um suporte financeiro para que consigamos, juntamente com universidades portuguesas ou mesmo estrangeiras, desenvolver um protótipo final para depois avançarmos com os próximos procedimentos, incluindo testes clínicos. São investimentos que podem custar até entre 200 mil a 300 mil euros", acrescentou.
Por enquanto, além da Universidade Católica e do Instituto Superior Técnico, o grupo tem tido o apoio dos Bombeiros de Queluz, do Tec Labs - Centro de Inovação, do Hospital de São José e da Galp.
Também a Escola Secundária Stuart Carvalhais tem tido um "papel muito central" na elaboração do projeto, tendo havido "apoio de toda a direção" até quando representaram Portugal em Riga, na Letónia. "Podemos dizer que a nossa escola foi um grande suporte para nós", elogiaram.
A "BeRed" não foi a grande vencedora da Junior Achievement em Riga, mas venceu um prémio, o de "Most Inspired Video Award", devido ao seu vídeo promocional - que demorou mais de 16 horas a gravar e 48 horas a editar. O prémio, destacam, foi um "orgulho" entre 40 equipas e mais de 1.000 participantes.
Ainda assim, representar Portugal foi, para estes quatro jovens, "incrível" e um "grande motivo de orgulho".
"Foi muito gratificante. Eu tenho 15 anos, nunca pensei em estar a representar Portugal no maior festival de empreendedorismo", confessou Maria, a mais nova do grupo.
Pedro, Maria, Lara e Lígia têm perspectivas de carreira diferentes. Querem passar pelo empreendedorismo, gestão, marketing de moda e gestão aeronáutica, respetivamente, mas todos com o mesmo objetivo: "Avançar com o produto, salvar vidas e causar impacto na vida das pessoas".

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