Cury tenta chapa com Aldo, que também pode abraçar Caiado - 27/07/2026 - Política - Folha

Às vésperas do prazo para oficialização dos nomes que disputarão a Presidência em outubro, o pré-candidato Augusto Cury (Avante) tenta concretizar uma aliança com o DC (Democracia Cristã), pela qual ele seria o cabeça de chapa, tendo como vice o ex-ministro Aldo Rebelo.

No começo do ano, Aldo foi anunciado como pré-candidato pelo DC. Não decolou nas pesquisas (de início oscilou entre 2% e 1%, depois menos), e rompeu com o presidente do partido, João Caldas, que anunciou sua expulsão –o ex-ministro foi à Justiça e conseguiu se manter temporariamente na legenda, que está rachada.

O DC anunciou então o nome de Joaquim Barbosa como seu possível pré-candidato. O ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) se filiou ao partido, mas também figurava na rabeira das pesquisas, e logo o plano fez água –o próprio Barbosa anunciou neste mês que não será candidato. Na última sexta (24), o DC divulgou a advogada mato-grossense Clariana Barão como sua candidata.

Avante e DC farão convenções nos próximos dias para oficializar suas chapas. Até lá, Cury –que teve 2% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha– acredita que consegue encerrar a guerra entre Aldo e Caldas e pôr de pé a aliança.

"Tenho conversado com os dois, para pacificar a situação, para que possa haver um ambiente de cordialidade para a possível dobradinha. João Caldas diminuiu a animosidade, o clima está melhor. Sou especialista na área de solução pacífica de conflitos, acredito que vamos resolver essa equação", disse Cury.

Aldo confirma as conversas e não descarta a possibilidade. "Em política, nós temos que considerar várias hipóteses e escolher a viável e a melhor. Nem sempre a melhor é viável e nem sempre a viável é a melhor. Isso é que é o problema", afirmou.

João Caldas disse que Aldo "é página virada no partido", mas ficou de voltar a conversar com Cury sobre o assunto ainda nesta segunda (27).

Médico e autor que vendeu milhões de livros de autoajuda, o pré-candidato pelo Avante disse que há tempos mantém conversas com Aldo "sobre um Brasil voltado a projetos e sem ataques pessoais". Insistirá numa composição com o ex-comunista, ex-presidente da Câmara e ex-ministro dos governos Lula e Dilma.

Se a articulação não vingar, Aldo estuda ao menos outras duas possibilidades: ser candidato a deputado federal pelo próprio DC ou participar da campanha de Ronaldo Caiado (PSD), em cujo palanque subiu durante a convenção que lançou o ex-governador de Goiás como candidato, no domingo (26).

Caso Augusto Cury não tenha êxito, ele diz que seu partido também flerta com o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) para um possível vice. "O Luis Tibé [presidente do Avante] ficou de conversar com ele, de quem também gosto muito. Sei que ele leu todos os meus livros."

Cury informou que tentará conversar com economistas como Marcos Lisboa, Mansueto Almeida, Ilan Goldfajn e Edmar Bacha para formular seu programa de governo, e que quer atrair o presidente da Fiesp, Paulo Skaf ("está no meu radar conversar com ele e convidá-lo para o Ministério da Indústria e Comércio").

Também disse que, caso eleito, provocaria o Congresso para mudar o regime para semipresidencialista, e seu favorito para primeiro-ministro seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição.