Análise: Ponte Preta se acostuma a perder e acelera rumo de uma temporada para esquecer | Ge

O problema, porém, deixou de ser apenas a sequência.

A atuação diante do Goiás repetiu praticamente tudo o que a torcida vem assistindo rodada após rodada: um time que comete erros decisivos, encontra dificuldades para sustentar desempenho durante os 90 minutos e, principalmente, transmite a impressão de que já não consegue reagir quando as coisas dão errado.

Ponte Preta x Goiás; Série B 2026 — Foto: Marcos Ribolli

Há momentos em que uma derrota explica uma crise. Outros em que a crise explica a derrota. Hoje, a Ponte vive claramente a segunda situação.

O rebaixamento no Campeonato Paulista já havia transformado 2026 em uma temporada traumática. A campanha na Série B apenas aprofunda esse cenário.

São apenas três vitórias em toda a temporada. A vice-lanterna da Série B após 18 rodadas. Doze pontos de distância para o primeiro time fora da zona de rebaixamento. A pior campanha da história da Ponte na era dos pontos corridos da competição. Uma sequência de sete derrotas consecutivas que não acontecia havia 21 anos.

Ponte Preta x Goiás; Série B 2026 — Foto: Marcos Ribolli

Não são apenas números. São marcas que dificilmente serão apagadas, independentemente de como terminar a temporada.

E, se dentro das quatro linhas o cenário é preocupante, fora delas ele consegue ser ainda mais delicado.

Salários atrasados. Transfer ban. Saída de jogadores durante a janela. Processos judiciais. Protestos da torcida. Uma proposta para transformar o clube em SAF cercada de expectativa. A cada semana, uma nova crise se soma às antigas e torna ainda mais pesado o ambiente para quem tenta trabalhar no futebol.

Protesto dos torcedores antes de Ponte x Goiás — Foto: Gabi Troian

É nesse contexto que Márcio Zanardi tenta encontrar soluções.

O treinador ainda busca fazer a equipe evoluir e, até aqui, pouco conseguiu mudar o desempenho da Ponte. Mas seria simplista imaginar que uma troca de comando resolveria problemas que se acumulam há meses. Antes dele, Edson Boaro e Rodrigo Santana também conviveram com dificuldades semelhantes e, em determinados momentos, conseguiram apresentar atuações até mais consistentes.

O futebol da Ponte hoje parece muito mais consequência de um ambiente deteriorado do que apenas resultado das escolhas feitas à beira do gramado.

Ainda resta um turno inteiro pela frente. Matemática não falta para acreditar em uma reação. O que falta, hoje, é o campo oferecer qualquer sinal de que ela seja possível.

Talvez a esperança do torcedor esteja menos em uma sequência improvável de vitórias e mais na reorganização do clube, seja por meio da SAF anunciada pela diretoria, seja por outras alternativas capazes de devolver estabilidade financeira.

Porque o sentimento que fica após mais uma derrota não é apenas o de um time afundado na zona de rebaixamento.

É o de um clube que parece ter se acostumado a perder. E essa, talvez, seja a pior derrota da Ponte Preta em 2026.