A situação da falta de água em Almada, é alarmante a vários níveis e principalmente num que ainda não vi ser mencionado que é a saúde pública.
A falta de água em zonas densamente povoadas, com redes de abastecimento e saneamento antigas, obsoletas e danificadas, com problemas operacionais majorados pela falta de água que faça funcionar minimamente os sistemas, que no caso do saneamento, os esgotos não escoam ou escoam com dificuldade para o destino final e no abastecimento, condutas danificadas que não estando em pressão, sejam contaminadas por agentes patológicos externos, possam criar insalubridade e problemas graves de saúde pública, como seja a cólera entre outros. O calor que tem estado e a população flutuante de diversa origem, aumentam o risco do fenómeno acontecer.
Deve-se no meu entender criar uma equipa multidisciplinar que esteja atenta e que aponte soluções a vários níveis, particularmente na vigilância em questões ligadas à saúde publica, para um problema que está longe de ser resolvido. Eu temo que se esteja a criar uma narrativa que aponte apenas para uma solução temporária, que poderá não funcionar, estando as populações a não serem devidamente informadas, particularmente nos consumos a jusante que são necessários, vejo uma vontade em anunciar soluções a montante na captação de água, mas que se não estiverem de acordo com as solicitações a jusante, estaremos perante um remendo num verão que vai ser longo, com as populações cada vez mais frustradas, zangadas e descrentes das instituições públicas.
É percetível o baixo investimento nos sistemas de abastecimento e saneamento em Almada, o resultado infelizmente está à vista e agora naturalmente é correr atrás do prejuízo que deve ser com apoio dos municípios da Grande Lisboa e das Águas de Portugal. Agora urge uma resposta nacional e não apenas local, onde inevitável o aproveitamento político do passa-culpas está presente, mas que no imediato nada resolve e sendo até contraproducente. É importante sim, tirar ilações para o futuro, que passe pela obrigação legal de ter gente qualificada nas administrações destas empresas públicas, no caso em concreto, gente com formação em engenharia.