O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, a indústria, o ar condicionado, os veículos elétricos e os centros de dados continuam a impulsionar a procura no quadro da "turbulência no mercado energético".
A agência sediada em Paris estima que o consumo global de eletricidade atinja os 30.700 terawatts-hora (TWh) em 2027, face aos 28.600 TWh de 2025, apesar da volatilidade do mercado energético e da subida dos custos dos combustíveis.
A AIE referiu que as perturbações no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) através do Estreito de Ormuz --- resultantes do conflito no Médio Oriente --- elevaram os preços do gás na Europa e na Ásia para os níveis mais elevados desde a crise energética de 2022--2023.
A situação fez encarecer a produção de eletricidade e obrigou algumas regiões a adotar medidas para conter o consumo.
No entanto, a agência acrescentou que os sistemas elétricos resistiram, sobretudo, ao impacto graças ao aumento da oferta de GNL e ao crescimento da geração de energia renovável, o que ajudou a reforçar a segurança energética e a reduzir a dependência do gás.
De acordo com as previsões da agência, a energia renovável vai tornar-se a principal fonte mundial de geração de eletricidade em 2026, ultrapassando o carvão depois de ter atingido uma situação de quase paridade no ano passado.
Projeta-se que a geração de energia renovável cresça mais de 8% em 2026, com a quota na produção global de eletricidade a subir de 33% em 2025 para 37% em 2027.
Segundo o relatório, a energia solar fotovoltaica vai continuar a impulsionar a expansão da oferta de eletricidade.
A AIE estimou que a produção aumente cerca de 600 TWh em 2026 --- igualando o crescimento recorde observado em 2025 --- e supere a energia eólica para se tornar a segunda maior fonte renovável de eletricidade do mundo, ficando apenas atrás da hidroelétrica.
A nível regional, a República Popular da China vai continuar a ser responsável por uma parte significativa do aumento da procura, com um crescimento projetado de 5,5% em 2026.
Espera-se que o consumo na Índia apresente uma recuperação de 7%, enquanto os Estados Unidos e a União Europeia vão registar aumentos próximos dos 2%.
Por outro lado, a AIE prevê que as emissões globais de dióxido de carbono provenientes da geração de eletricidade aumentem cerca de 1% em 2026 --- impulsionadas pela maior utilização de carvão resultante dos preços mais elevados do gás --- antes de estabilizarem em 2027, graças ao crescimento das energias renováveis e à expansão da energia nuclear.