Adjunta de Luís Neves na PJ desconhecia que atrelado estava em Barcelos

O ministro da Administração Interna já disse estar a reunir todos os documentos e informações para dar explicações sobre o caso que o envolve - a si, ao empreiteiro que tinha trabalhado para a Polícia Judiciária (PJ) quando Luís Neves ainda era diretor nacional, a um atrelado apreendido numa operação que foi encontrado na empresa desse mesmo empreiteiro... e que mais?

O Ministério Público (MP) já confirmou a abertura de um inquérito e a PJ terá visto "indícios de abuso de poder" no caso do atrelado em causa, encontrado à porta da empresa Construbarcelos - do empreiteiro, e amigo, de Luís Neves.

Agora, o atrelado volta a dar que falar: é que, segundo a CNN Portugal, Luísa Proença, que ocupou o cargo de directora nacional-adjunta da PJ nos oito anos em Neves esteve à frente do organismo, desconhecia até agora a que o objeto se encontrava a cerca de 360 quilómetros de onde era suposto estar.

É que, recorde-se, o atrelado rumou do Seixal ao Norte, onde foi encontrado junto da empresa do empreiteiro, João Carvalho. A autorização terá sido dada por Neves.

Luísa Proença não quis comentar o caso, quando questionado pela emissora, mas garantiu: "Não tive qualquer conhecimento da ida para Barcelos de um atrelado apreendido no âmbito de um processo".

Note-se que a antiga dirigente da PJ teve a seu cargo a Direção de Serviços de Gestão Financeira e Patrimonial desta mesma polícia, o que significa que sob a sua responsabilidade estava a unidade da PJ responsável pela guarda dos bens apreendidos.

À CNN Portugal, Proença disse ainda que foi pela televisão que soube que um atrelado apreendido estava na posse de um particular.

A polémica relacionada com o ministro da Administração Interna teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira a empresa Construbarcelos, anteriormente responsável por obras na PJ, quando Luís Neves era diretor nacional.

Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Já a semana passada, o MP recusou, pelo menos por agora, atribuir à PJ a investigação relacionada com o atrelado. A investigação "encontra-se a cargo do Ministério Público deste departamento e não será, por ora, delegada em qualquer órgão de polícia criminal", detalhou a Procuradoria-Geral da República, em comunicado enviado na altura às redações, após questionamento.

Recorde-se ainda que o atrelado em causa foi apreendido no âmbito do processo de tráfico de droga denominado Operação Pacoba, uma operação da PJ realizada na zona Oeste do país que permitiu desmantelar "um dos maiores laboratórios de droga da Europa", em dezembro de 2024.

Segundo adiantou no passado dia 19 o Correio da Manhã, a Marinha solicitou à PJ a retirada urgente das suas instalações do atrelado com produtos químicos, uma vez que haveria risco de explosão. Em causa estavam os bidões no interior do atrelado, que continham produtos químicos usados para processar droga, antes de serem apreendidos. Devido ao calor, haveria esse risco de explosão.

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