3tentos (TTEN3) celebra 5 anos do IPO mesmo com águas agitadas, mas CEO faz alerta: 'É necessária uma intervenção no agro' – Money Times

João Marcelo Dumoncel, fundador e CEO da 3tentos

(Foto: Divulgação)

Uma das histórias de sucesso que resistiram ao teste do tempo entre a onda de IPOs de 2021 é a da 3tentos (TTEN3).

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Cinco anos após estrear na B3, a companhia fundada pelos irmãos Dumoncel, em 1995, em Santa Bárbara do Sul (RS), acumula valorização de cerca de 28%. O desempenho supera o de outras empresas do agronegócio que também abriram capital naquele ano, como Boa Safra (SOJA3) e Vittia (VITT3), além de contrastar com os desafios enfrentados por Raízen (RAIZ4) e AgroGalaxy (AGXY3), que passam por processos de reestruturação financeira.

Na avaliação do CEO da 3tentos, João Marcelo Dumoncel, a abertura de capital foi um divisor de águas para a companhia.

“Foi um movimento super positivo. Na época, éramos uma empresa do interior do Rio Grande do Sul, de um setor com pouca representatividade na Bolsa. Era uma aposta ousada”, afirmou, em entrevista ao Money Times.

Segundo o executivo, a empresa deixou de ser uma companhia “fora do radar” para se tornar uma das principais plataformas integradas do agronegócio brasileiro.

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“Saímos de 40 para 81 lojas em cinco anos. Tínhamos duas indústrias e hoje são quatro em operação. Praticamente triplicamos nossa capacidade de produção, dobrando o número de plantas e quase quadruplicando a capacidade instalada. Também passamos de 1.300 para 3.000 colaboradores e quintuplicamos a receita.”

Cinco anos de crescimento em meio às turbulências

A trajetória, porém, esteve longe de ser tranquila.

Desde o IPO, a companhia atravessou a pandemia, enfrentou eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul e acompanhou a forte volatilidade dos preços agrícolas, dos custos de produção e do crédito rural.

“Mesmo com todos esses desafios, conseguimos navegar por esse cenário e entregar valorização de mercado superior à da grande maioria das empresas listadas naquele ano.”

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Em 2021, a B3 registrou 45 IPOs, o maior ciclo de aberturas de capital da história recente do mercado brasileiro.

Para os próximos cinco anos, a 3tentos aposta na maturação dos investimentos realizados desde a abertura de capital, principalmente na expansão para o Mato Grosso — principal tese de crescimento apresentada aos investidores no IPO.

“Hoje temos quatro indústrias, duas no Rio Grande do Sul e duas no Mato Grosso. Também contamos com 14 lojas no estado e outras oito distribuídas pelo restante do país. Em 2026, expandimos nossa atuação para Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Pará, anunciamos nossa quinta planta industrial e entramos no mercado de etanol de milho. Temos excelentes perspectivas pela frente.”

Há cerca de 45 dias, a companhia iniciou a operação da sua primeira usina de etanol de milho, em Porto Alegre do Norte (MT), no Vale do Araguaia.

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Segundo Dumoncel, a planta já opera com aproximadamente 80% da capacidade nominal e deve começar a contribuir para os resultados financeiros no balanço do terceiro trimestre de 2026 (3T26).

El Niño pode favorecer o Rio Grande do Sul

Depois de anos marcados por eventos climáticos extremos — incluindo estiagens severas e as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul — o mercado acompanha a possibilidade de retorno do El Niño nos próximos meses. O fenômeno costuma alterar o regime de chuvas no Brasil, favorecendo, em geral, a região Sul, enquanto pode aumentar os riscos de irregularidade climática em partes do Centro-Oeste e do Norte.

Para a 3tentos, o tema é especialmente relevante. Embora a companhia tenha acelerado sua expansão para o Mato Grosso e outros estados, o Rio Grande do Sul ainda responde por cerca de 50% a 55% dos negócios da empresa.

Na avaliação do CEO, João Marcelo Dumoncel, um eventual retorno do El Niño tende a ser positivo para a safra gaúcha.

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“Se você pegar a série histórica, os anos de El Niño foram os anos das melhores safras do Rio Grande do Sul. O estado ainda representa entre 50% e 55% do nosso negócio e a tendência é que ele tenha um viés positivo em termos de produção.”

Por outro lado, o executivo afirma que a companhia segue monitorando os possíveis impactos sobre as áreas de expansão no Centro-Oeste.

“Para o Centro-Oeste, precisamos acompanhar. Mas hoje existe muito mais debate e conscientização sobre o tema, o que ajuda na adoção de medidas para mitigar eventos mais nocivos. Os produtores tem adaptado melhor os ciclos das culturas, escolhem variedades mais adaptadas às condições climáticas, preparam estratégias para possíveis veranicos e otimizam janeças de plantio. Não dá pra controlar o clima, mas dá para adotar ações de mitigação para evitar impactos mais nocivos”.

“O produtor está endividado de Norte a Sul”

Apesar das perspectivas favoráveis para a companhia, Dumoncel afirma que o momento vivido pelo agricultor brasileiro segue sendo um dos mais difíceis dos últimos anos.

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Após o ciclo excepcional registrado entre 2021 e o início de 2023, os preços das commodities agrícolas recuaram, enquanto os custos de produção permaneceram elevados.

“Os custos não caíram na mesma proporção dos preços, comprimindo fortemente as margens. Soma-se a isso uma taxa de juros muito alta. No Rio Grande do Sul ainda há os efeitos das perdas climáticas. O produtor está endividado, e isso acontece de Norte a Sul.”

Mesmo nesse cenário, o executivo afirma que tanto a 3tentos quanto a TentosCap, braço financeiro da companhia responsável por crédito rural, seguro agrícola e soluções financeiras aos produtores, continuam registrando bons índices de adimplência.

CEO da 3tentos defende renegociação das dívidas rurais

Ao comentar o PL 5.122/2023, que cria um amplo programa de renegociação das dívidas de produtores rurais, Dumoncel afirma que o agronegócio brasileiro precisa de uma intervenção coordenada para enfrentar a atual crise financeira.

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“Acho que o Rio Grande do Sul precisa mais do que outros estados, mas, no geral, o produtor precisa de fôlego. Estamos vendo ondas de inadimplência e, se analisarmos os números fora do estado, eles são tão grandes quanto — ou até maiores — em outras regiões do país. Isso mostra que muitos produtores não conseguem honrar seus compromissos. É necessária uma atuação do ponto de vista da renegociação.”

Na avaliação do executivo, uma política de apoio ao setor não deve ser vista como um custo para o governo, mas como um investimento de alto retorno econômico.

Na quarta-feira (15), o governo editou a medida provisória sobre a renegociação de dívidas rurais. A norma, anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que os juros cobrados serão de 5% a 11% ao ano O governo também prevê a criação de um fundo garantidor voltado ao setor agropecuário, com possibilidade de aporte de até R$ 2 bilhões pela União.

“O agro reage muito rápido. Quando o produtor está com as contas em dia, ele investe mais, compra máquinas, amplia a armazenagem, aumenta a competitividade e gera mais exportações. O recurso destinado ao setor retornaria várias vezes para a economia brasileira já no ano seguinte. Não é uma despesa, é um investimento com retorno para o Brasil.”

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A 3tentos reporta seu balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26) em 14 de agosto.

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