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Da Beatriz Félix. Boa noite, Beatriz. Começamos esta edição com uma notícia: O Observador. Rui Costa está na lista negra do Banco de Portugal.
O presidente do Sport Lisboa e Benfica encontra-se em situação de incumprimento em créditos superiores a €20 milhões, em causa um projeto imobiliário da empresa Desinvest, da qual Rui Costa é acionista. O presidente do Benfica terá assumido responsabilidade pela devolução do capital do financiamento da construção do projeto e está, neste momento, em dívida para com o Banco Montepio, que concedeu vários créditos para aquisição dos terrenos. O montante é então superior a €20 milhões, o que coloca Rui Costa na lista de devedores na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco Central. Contactada pelo Observador, fonte oficial da empresa Desinvest garante que não houve execução de hipotecas e que a relação com o Banco Montepio continua a correr dentro da normalidade. Também segundo essa mesma fonte, foram dadas garantias ao banco que permitem ultrapassar a dívida em causa. Este é um artigo assinado pelo redator principal do Observador, Luís Rosa, também pela jornalista Mariana Furtado, que a esta hora faz manchete e que pode ler com mais detalhe no site do Observador.
E na educação, Beatriz, há pressões da esquerda para que o PS siga em frente com uma comissão de inquérito ao processo de classificação dos exames nacionais.
Pressões que vêm de vários partidos, do LIVRE, do Bloco de Esquerda e PCP, mostradas esta tarde numa manifestação convocada pelos estudantes junto ao Ministério da Educação. O primeiro a manifestar abertura para uma comissão de inquérito foi António Filipe, do PCP, que defende que devem ser usados todos os mecanismos para apurar responsabilidades.
Esta questão tem que ser levada muito a sério para a Assembleia da República e usar os meios regimentais de que dispõe para que o Governo assuma as responsabilidades que tem que assumir perante o Parlamento e perante o país. E, portanto, aquilo que foi anunciado, a redução do inquérito, obviamente, não é de descartar e pode fazer sentido. Para já, é preciso que o Governo não fuja aos esclarecimentos que são necessários sobre este problema, que não faça como tem feito até aqui, que é procurar atirar as responsabilidades para todos, menos para o próprio governo, que é o verdadeiro responsável pela situação que está criada.
É a posição do PCP, aqui pela voz de António Filipe. Também Rui Tavares, do LIVRE, admitiu apoiar uma comissão de inquérito e acusa o governo de ter criado um problema quando tudo estava bem.
Acompanhamos, porque nos parece que se trata de uma questão que é uma questão transversal ao Ministério da Educação, a criação de um caos onde não havia. Quer dizer, nós estamos habituados a outras dificuldades na educação, seja na colocação de professores, seja no início do ano letivo. O que este ministro conseguiu fazer foi inventar um caos novo no Ministério da Educação, que é de facto uma coisa inédita e que tem que ser explicada e não vai lá com auditorias por empresas privadas.
É a posição de Rui Tavares, do LIVRE. Já do Bloco de Esquerda, o pedido feito é exatamente o mesmo e sob alguma pressão, o PS falou também da possibilidade de avançar com inquérito parlamentar se, e apenas se, Fernando Alexandre não der respostas sobre o processo de classificação até setembro.
E à direita, críticas de André Ventura aos demais partidos por não pedirem mais esclarecimentos ao Ministro da Administração Interna.
Críticas que o presidente do Chega dirigiu principalmente ao Partido Socialista e foi no Porto que André Ventura disse que há partidos reféns de poderes ocultos.
O Partido Socialista, para além de conhecer muito bem o que é que são investigações de corrupção e de desvio de dinheiros, o Partido Socialista tem um critério seletivo, que é só fala de quem não lhe convém. Ou seja, fala se não forem do Partido Socialista ou ligados ao Partido Socialista. O Partido Socialista já falou de muitos outros casos e já exigiu explicações. O que é que se tornou gritante aqui? Foi perceber que com todos os elementos que vinham a público, o Partido Socialista continuava em silêncio. Isso levanta uma suspeita, francamente, honestamente, com toda a transparência, de achar que os partidos em Portugal estão reféns de poderes ocultos. E em Portugal não podem existir poderes ocultos para lá do poder do povo.
André Ventura, aqui em registros captados pela CNN. O presidente do Chega deixa também uma garantia, diz que a comissão de inquérito não tem o objetivo de fragilizar a PJ, mas ainda assim é disso mesmo que acusa o Chega, o PS, de querer prejudicar a Polícia Judiciária. Relaciona também esta intenção de abrir um inquérito parlamentar com as investigações da polícia a movimentos de extrema-direita.
E já de olhos postos no Orçamento do Estado para o próximo ano, o governo não fecha portas, Beatriz, às exigências do PS no que toca à revisão constitucional e à Segurança Social.
E ao que o Observador apurou, o governo não terá dificuldades para responder duas das maiores exigências do PS para o Orçamento do Estado. Fonte dada e garante que Luís Montenegro sempre quis incluir os socialistas num projeto de revisão constitucional. Também na Segurança Social, apesar do relatório pedido ao economista Jorge Bravo, a ministra disse que não está prevista qualquer mudança estrutural nesta legislatura e, por isso, há garantias de Montenegro ao PS de que não vai haver mexidas nesta área. As outras duas exigências estão relacionadas com a lei de bases na saúde e a resposta que o governo deve dar à recuperação dos territórios mais afetados pelas tempestades no início do ano.
Da política para a Justiça, o Estado português nega, Beatriz, ter violado qualquer direito humano de José Sócrates no âmbito do processo da Operação Marquês.
A garantia é do Ministério da Justiça, que já enviou a resposta oficial ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo. Em causa está a queixa apresentada pelo antigo primeiro-ministro, que acusava a Justiça portuguesa de violar o direito a um julgamento justo e a prazos razoáveis. Ora, em abril, o Tribunal Europeu pediu esclarecimentos a Lisboa sobre três pontos centrais. Eram eles: a duração do processo, as fugas de informação para a comunicação social e a existência de recursos internos efetivos. Na resposta enviada no prazo limite, no último dia, o governo assegura que respeitou a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e juntou também outras provas que considera pertinentes para rebater os argumentos de defesa de José Sócrates.
E a marcar a atualidade internacional, o presidente ucraniano deixa um aviso: pode haver um novo ataque massivo contra a Ucrânia nas próximas 48 horas.
De acordo com informações preliminares de Kiev, um novo grande ataque por parte da Rússia poderá estar para breve. Num vídeo publicado na rede social X, Volodymyr Zelensky diz que o ataque pode vir a atingir solo ucraniano ainda esta noite e pede à população ucraniana que fique atenta aos alertas de ataque aéreo.
Sabemos, através da nossa inteligência e parceiros, que os russos têm preparado mísseis para um novo ataque massivo contra a Ucrânia. O ataque pode vir a acontecer hoje. Temos informação preliminar que vai acontecer nas próximas 48 horas. Por favor, tenham cuidado e prestem atenção aos alertas de ataque aéreo.
O chefe de Estado ucraniano manifestou também esperança na continuação do apoio dos Estados Unidos da América.
Oito minutos para lá da meia-noite. Beatriz Félix, vamos a outras notícias que importa destacar nesta noite de sexta-feira.
O governo português condenou hoje os ataques dos rebeldes houthis do Iémen contra navios sauditas. Numa nota na rede social X, o Ministro dos Negócios Estrangeiros condena os ataques e diz considerar inaceitável a ameaça do bloqueio marítimo à Arábia Saudita. Paulo Rangel afirma tratar-se de uma violação flagrante do direito internacional dos mares e sublinha que a ameaça dos rebeldes do Iémen agrava seriamente a instabilidade na região. Ainda esta sexta-feira, os rebeldes asseguraram que o bloqueio marítimo se dirige apenas aos navios sauditas. Falamos também de Donald Trump, que diz que o Irão está a levar as negociações cada vez mais a sério. Uma afirmação do presidente norte-americano sobre os líderes iranianos e diz que esta mudança de atitude se deve principalmente a uma razão óbvia: o bloqueio ao estreito de Ormuz e a vontade que esse bloqueio termine. Por cá, o Ministério da Justiça anunciou uma verba de €42 milhões para a requalificação de prisões e centros educativos. O dinheiro destina-se ainda a cobrir o processo de encerramento do estabelecimento prisional de Lisboa. Também numa nota divulgada esta sexta-feira, o ministério afirma que este montante pode cobrir até 100% das despesas elegíveis, com execução dos projetos prevista para o período entre 2026 e 2029.
Ponto final nesta edição da meia-noite e nesta noite informativa à cargo da jornalista Beatriz Félix. Beatriz, um bom descanso. Até amanhã.
Obrigada. Bom fim de semana, Vicente.
E as notícias estão de regresso à meia-noite e meia, já com edição do jornalista Miguel Pina Andrada.